Acredito no estado eterno de mudanças.

Gosto de ver as mudanças da vida. Ontem criança, hoje adulto, amanhã idoso. Este espaço é para provocar diálogos que possam ajudar a mudar o meu jeito de olhar. E quem sabe você também entra nessa? Seja bem vindo, comente, critique, o anonimato aqui é bem vindo.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Manifeste-se

Quando entrei na faculdade de publicidade e propaganda da PUC em 1997 um fato chamou a minha atenção. Vários colegas nunca haviam ido a pé à Praça Sete, marco central de BH. Alguns afirmavam que sabiam onde era, já haviam passado de carro, mas nunca precisavam ir lá. E alguns me perguntaram por que eu estranhava aquilo, na savassi, onde a maioria circulava era possível encontrar tudo.

Treze anos depois vejo que esta questão se alastra. Cada um no seu gueto e o espaço público fica livre para pedestres e só. Em condomínios fechados, nos shoppings, em bairros de alta classe com tudo o que precisam jovens crescem sem ter o contato com a cidade, com outras classes sociais, com o diferente. E com o aval da violência tudo fica justificado. Usar o transporte público é perigoso, andar pelo centro é perigoso, circular pela cidade é perigoso, viver longe do gueto é perigoso.

Estes jovens nunca participaram de uma manifestação pública, nunca foram às ruas lutar por passe livre, meia entrada, melhores escolas, cotas, decretos municipais, etc. Talvez nunca saberão o que é participar de uma manifestação popular, o que é fazer política. Negociar, mobilizar, articular, são verbos que eles não sabem conjugar. E isso não é da conta deles, política é coisa de corrupto e melhor não envolver.

Se a carapuça serviu, mas na luta pelas diretas você nem era nascido e no Impeachment do Collor você era muito novo, ainda resta uma chance. Tem um pessoal aqui em BH engajado em um movimento que se chama: Praça Livre. E lutam contra um decreto do prefeito que proíbe a realização de evento de qualquer natureza na Praça da Estação. Isso a princípio, porque desde o último sábado este movimento ganhou outras caras, muitas outras e naturalmente vai ampliar seu leque de ações.

Este ano a prefeitura reduziu drasticamente as verbas para a cultura, não teremos FIT! E se você quiser saber um pouco mais sobre os desmandos do Sr. Márcio Lacerda, leia o DOM. Se quiser conhecer mais sobre o movimento Praça Livre, tem este blog. Se tiver medo, fique em casa, curta seu bairro, vá ao shopping, ao clube, mas depois não reclame do vazio na sua vida, na sua praça. Vai ficar chato você chegar ao analista e apresentar uma vida boba, sem interação social e sem ação, onde as preocupações estão relacionadas a sua capacidade de consumo, ao seu peso, roupa, modelo de carro, ou de namorada que está usando no momento.

Um comentário:

paulo conde disse...

Eu me lembro da passeata dos 100 mil em 1998 quando estava passando pela porta do Mofuce e encontrei o filósofo Maurício, solicitando ajuda para carregar os garrafões de vinho. Poucas horas depois estava embarcando rumo a Brasília, em um dia histórico onde pela primeira e única vez eu vi e ouvi o Brizola discursar in loco.

Também me lembro das dezenas de vezes em que saímos às ruas nos anos de Marconi, gritando pelo meio-passe, fora Collor, e diversas outras causas, junto aos colegas do Estadual, Cefet, Villa-Lobos e outros.

Éramos muito jovens e já estávamos misturados a sindicalistas e militantes, alguns jovens como nós, outros com idade pra serem nossos pais...

Infelizmente a política partidária não me emociona mais faz tempo, mas continuo acreditando em um mundo melhor e mais justo para todos.