Acredito no estado eterno de mudanças.

Gosto de ver as mudanças da vida. Ontem criança, hoje adulto, amanhã idoso. Este espaço é para provocar diálogos que possam ajudar a mudar o meu jeito de olhar. E quem sabe você também entra nessa? Seja bem vindo, comente, critique, o anonimato aqui é bem vindo.
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sábado, 7 de julho de 2012

A cena está pronta, mas os personagens...


A montagem das chapas para concorrer à prefeitura de Belo Horizonte virou uma verdadeira barganha. Partidos mudam de lado, candidatos se apresentam e depois se retiram, alianças são formadas em absoluto desrespeito aos filiados aos partidos. Os lideres partidários em reuniões secretas decidem o futuro da cidade, alheios a quaisquer demandas da sociedade, atentos exclusivamente as barganhas eleitoreiras.

Bem, é este o cenário que assistimos na grande mídia, mas há outro cenário. Os partidos de esquerda realizaram reuniões, convenções, articulações com movimentos sociais, sindicatos e lançaram seus candidatos. Nestes partidos quem decide quem será o candidato são os filiados, nas convenções e depois de muitas discussões. Como deveria ser em todos os partidos.

Mas a diferença não termina apenas na escolha dos candidatos, a diferença é muito maior. Estes partidos, PSOL, PCB, PSTU e PCO não recebem financiamento de empresas para as suas campanhas. Para conseguir dinheiro fazem diversas ações, desde venda de camisas, botons, adesivos e outros materiais, até festas. Além disso, contam com a contribuição de cidadãos que acreditam que há uma solução para o quadro nefasto que os figurões tentam construir para a nossa capital.

As diferenças não terminam por aqui e para relacioná-las teria que escrever um livro. Mas o ponto que quero chegar é o seguinte: existe uma saída para a nossa decadente democracia. Existe uma maneira de se mudar este cenário e estamos caminhando para ela.

Cidadãos conscientes do momento político que vivemos, oriundos de todas as classes sociais e de diferentes movimentos; sindicatos, associações de bairro, coletivos, movimentos sociais, estudantis e outros, estão se engajando na luta por uma cidade realmente democrática e humana. Arrisco a dizer que BH nunca viu tanta gente interessada e aguerrida na campanha eleitoral!

E é nesta que estamos! Acompanhamos nos últimos doze meses todas as movimentações partidárias em Belo Horizonte. Conhecemos partidos, lideranças, idéias, propostas, posturas e vamos acompanhar os passos de todos os candidatos, vamos apresentar as incoerências, os oportunismos e as boas idéias.

E para quem procura um candidato, algumas dicas:
- Desvie de todos estes que trabalham com campanha financiada por grandes empresas, são eternos reféns de corruptores.
- Evite todos estes que fazem jogo de gabinete, desrespeitando seus filiados.
- E não julgue os partidos pequenos antes de conhecê-los melhor. Você vai se surpreender com ativistas engajados e uma postura diferente.

Os personagens que mais aparecem na TV não são os principais, são apenas os atores mais bem pagos. O personagem principal é você! Entre em cena!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A cidade, o carnaval e o gueto.

Nas grandes cidades Brasileiras as classes média e alta estão aprendendo a viver em guetos. E isso não é de hoje, já faz mais de trinta anos que estão neste processo. Aqui em Belo Horizonte esta realidade é facilmente percebida na ausência desses cidadãos no espaço público. Gradativamente e sem perceber perderam o direito ao espaço público e não desconfiam que foram roubados de um direito básico. Pulam de gueto em gueto, do colégio ou trabalho para o condomínio, do condomínio para o shopping e do shopping para o clube.

A população pobre cada dia é encurralada no gueto do seu bairro, onde sair à noite é perigoso, ficar na rua é sinônimo de vadiagem e para a polícia, motivo de abordagens agressivas. No centro os moradores de rua, são constantemente roubados pelo famigerado “caminhão branco” da Prefeitura Municipal que leva os seus pertences para inviabilizar a vida nas ruas. Artesãos Nômades tem seus materiais de trabalho apreendidos em ações baseadas em um Código de Postura Municipal que fere direitos Constitucionais.

Para a Administração Municipal gente na rua é sinônimo de problema ou de lucro. Se for um pequeno grupo, espontâneo ou organizado, que se reúne em algum espaço público, logo é motivo de marginalização e acompanhamento de perto pela Fiscalização Municipal. Se for um grande evento, com patrocinadores e visibilidade na mídia, a coisa muda e passa a ser reverenciado pela Administração Municipal. A ideia é clara, gente na rua tem que render lucro, ou é sinal de problema.

Gradativamente toda a população vai perdendo o seu direito de ir e vir, de curtir a cidade, de se encontrar na esquina ou na praça do bairro, de conversar, de brincar na rua. Para isso há uma justificativa perfeita: a violência. A violência está em todos os lugares, principalmente nas ruas, sendo assim, melhor que não tenha nenhum cidadão nas ruas. Caso haja, deve ser abordado, identificado e de preferência orientado a ir para a casa. Ainda não perceberam que gente na rua é sinal de segurança, um cuida do outro, e quando tem gente vendo fica mais difícil para a violência acontecer. Aliás, é seguindo esta lógica que se instalam câmeras nas ruas, saem às pessoas e entram as câmeras.

Esquecem os administradores municipais que é da natureza do homem se levantar quando é tolhido de seus direitos. Estamos de pé! Prontos para reivindicar o que é um direito nosso. Queremos as ruas de volta. Queremos o direito de poder nos encontrar em nossas praças abandonadas. Queremos o direito de desligar a televisão e ir jogar bola na hora da novela. Queremos poder tocar violão na praça e encontrar os amigos sem precisar ir para um espaço privado.

Blocos de carnaval independentes, que não têm patrocinadores ou políticos em suas organizações, são considerados um problema. Grandes blocos com patrocinadores ou políticos organizando tem, além de financiamento, toda a publicidade da Prefeitura a disposição. Esta diferença mostra o quanto a administração municipal se encontra distante da população.

Não queremos grandes blocos, não queremos cercas, nem regras absurdas para sair às ruas. Queremos de volta a nossa liberdade, o nosso direito de folia sem repressão e sem criminalização. O povo nas ruas é sinal de festa, de alegria e de revolução. Se não entendem que não queremos viver em guetos, que cercas, alarmes e câmeras são apenas motivos de opressão e não resolvem o problema da violência, demonstraremos nas ruas.

Nossa alegria é contagiante, nossa disposição é de quem tem samba no pé e fogo no corpo. Não, Sr. Prefeito, não aceitamos a sua cooptação de nossa festa. O Carnaval de Rua é do povo e não da Belotur. Suas estratégias de controle e opressão nos mostra que estamos no caminho certo. Queremos nossas ruas cheias de gente, brincando, se divertindo e celebrando a vida. Porque sabemos que só no encontro das ruas, só quando estamos diante do outro, do diferente, é que podemos crescer e aprender a ser cidadão. No gueto, Sr. Prefeito, aprende-se o medo, a angustia e a depressão, tão comuns neste povo que está sendo enjaulado em casas, escolas, shoppings e condomínios fechados.

Abram alas, o Carnaval de Rua vai tomar a cidade, vai contaminar a sua alma e quando estiver desanimado, solte corpo, entre na dança, porque quem fica parado vai acabar aprisionado.

Em tempo: A lei geral da FIFA, que também será aplicada em nossa capital, prevê que para as festas de rua só poderemos nos encontrar nas Fan Fest, espaços cercados e com segurança particular. Já foram montadas arenas desse tipo na Praça da Estação e na Praça JK. Um teste para a Copa, onde todos os bares deverão ser fechados em dias de jogos e só poderemos nos reunir nestes espaços cercados.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O lanche dos Vereadores de BH

Ontem saiu uma matéria sobre a licitação para oferecer lanche para a Câmara dos vereadores. Segundo consta o lanche é para ser servido no intervalo das sessões.
Seria normal, se os vereadores não tivessem um auxilio alimentação de R$15.000,00.
Enquanto isso falta verba para a merenda escolar, que é basicamente: mingau de fubá,macarrão e pão com manteiga.

Vamos mostrar que estamos atentos!?

Passou 1:
Copie o email de todos os vereadores de BH:

adrianoventura@cmbh.mg.gov.br" ,
"alexandregomes@cmbh.mg.gov.br" ,
anselmojosedomingos@cmbh.mg.gov.br,
"arnaldogodoy@cmbh.mg.gov.br" ,
"autairgomes@cmbh.mg.gov.br" ,
"brunomiranda@cmbh.mg.gov.br" ,
"cabojulio@cmbh.mg.gov.br" ,
"pastorcarlos@cmbh.mg.gov.br" ,
"chambarelle@cmbh.mg.gov.br" ,
"ver.danielnepomuceno@cmbh.mg.gov.br" ,
"divinopereira@cmbh.mg.gov.br" ,
"edinhodoacougue@cmbh.mg.gov.br" ,
"elainematozinhos@cmbh.mg.gov.br" ,
"fredcosta@cmbh.mg.gov.br" ,
"geraornelas@cmbh.mg.gov.br" ,
"geraldofelix@cmbh.mg.gov.br" ,
"gunda@cmbh.mg.gov.br" ,
"henriquebraga@cmbh.mg.gov.br" ,
"hugothome@cmbh.mg.gov.br" ,
"iranbarbosa@cmbh.mg.gov.br" ,
"joaolocadora@cmbh.mg.gov.br" ,
"joaooscar@cmbh.mg.gov.br" ,
"joaovitorxavier@cmbh.mg.gov.br" ,
"leoburguesdecastro@cmbh.mg.gov.br" ,
"leonardomattos@cmbh.mg.gov.br" ,
"luistibe@cmbh.mg.gov.br" ,
"luziaferreira@cmbh.mg.gov.br" ,
"marialscarpelli@cmbh.mg.gov.br" ,
"moamedrachid@cmbh.mg.gov.br" ,
"neusinhasantos@cmbh.mg.gov.br" ,
"pablito@cmbh.mg.gov.br" ,
"paulinhomotorista@cmbh.mg.gov.br" ,
"paulolamac@cmbh.mg.gov.br" ,
"preto@cmbh.mg.gov.br" ,
"pricilateixeira@cmbh.mg.gov.br" ,
"eliasmurad@cmbh.mg.gov.br" ,
"pretosacolao@cmbh.mg.gov.br" ,
"reinaldolima@cmbh.mg.gov.br" ,
"ronaldogontijo@uai.com.br" ,
"sergiofernando@cmbh.mg.gov.br" ,
"silvinhorezende@cmbh.mg.gov.br"

Passo 2:
Escreva um texto mostrando a sua indignação! Para facilitar segue um exemplo, se quiser pode copiar o mesmo:

Boa tarde Senhoras e Senhores!

Fique impressionado com a matéria que acabo de ler:

http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2010/11/29/interna_politica,195183/veja-o-que-o-vencedor-da-concorrencia-tera-de-fornecer-aos-vereadores-de-bh.shtml

O que me impressiona não é a quantidade e os valores. Pelo contrário, acredito que as Senhoras e os Senhores devem se alimentar bem para terem disposição para defender os interesses dos cidadãos.
O que me impressionou muito foi saber que as Senhoras e os Senhores já recebem o valor de R$ 15.000,00 para alimentação, basta que seja comprovado por nota fiscal.
É entristecedor ver que a Casa que deveria defender os interesses do povo de Belo Horizonte, faz mais por seus membros do que pelo cidadão. A diferença entre a merenda escolar e a merenda parlamentar é chocante!
Espero do fundo do meu coração que as Senhoras e os Senhores possam cancelar esta licitação para que a Casa continue a ter alguma decência e respeito.
Cordialmente,

Passo 3:
Replique esta idéia no seu Face, Orkut, Twitter, Blog e qualquer outro meio de comunicação. Comente no buteco, na esquina, no salão, chame seus amigos, demonstre indignação. Agora ficou muito mais fácil agir, não vamos ficar parados enquanto nos roubam!!

terça-feira, 30 de março de 2010

Parada pateta

Este final de semana teve parada disney em Belo Horizonte. Mickey, pato donald e sua turma mobilizaram a prefeitura para realizar várias intervenções na orla e dar passagem a grandes carros alegóricos. Além de eleitoreira, a festa era propaganda da Nestlé, que anda matando orangotango para fazer chocolate. Mas deixa quieto, são detalhes demais. Se eu começar analisar todos chegaremos à inoperância da Fundação Municipal de Cultura, nos desmandes do prefeito pateta e nos devaneios de um governador que pensa ser rei.
A parada me fez pensar na minha infância. Nunca gostei dos personagens disney. A voz do pato donald é insuportável. O Mickey sempre me pareceu idiota demais e o tio patinhas é o cara mais babaca que eu conheço. Que tio é esse que tem milhões e deixa os sobrinhos sem nada? Acho que foi este exemplo que me fez odiar literalmente toda a turma. Fui criado em uma casa onde a solidariedade e o cuidado com o próximo eram cultuados em alto grau. Referências de humanismo e solidariedade me fizeram odiar disney.
Minha mãe comprava revistinhas, e eu pedia: Mãe troca esta, prefiro da Turma da Mônica. A baixinha dentuça, invocada e muito violenta me era mais aprazível que os sovinas e individualistas estadunidense. O Cebolinha era um bobão, mas ele tinha amigos. E o mais engraçado disso tudo é que ninguém fez a minha cabeça ou me direcionou neste sentido. Demorei a perceber que as sutilezas da minha educação me levaram para fantasias no Sítio do Pica-pau Amarelo, com a Turma da Mônica e do Menino Maluquinho. Quem não leu o Poço do Visconde, não pode fantasiar com o pré-sal antes dele existir. Monteiro Lobato além de fantástico já gritava: o petróleo é nosso! E eu sonhava com um poço no quintal de casa.
Acho que isso provocou em mim um certo anti-americanismo na adolescência. Hoje já superei e admiro a cultura norte-americana em várias questões. Inclusive na sua capacidade de se alastrar pelo mundo e massacrar a cultura de outros países. A dominação econômica é garantida pela dominação cultural.
Hoje posso me orgulhar de ter uma atitude coerente e continuo preferindo manifestação na prefeitura a parada disney, Monteiro Lobato a disney e consciência política e cultural ao invés de alienação num mundo fantástico e torpe.