Acredito no estado eterno de mudanças.

Gosto de ver as mudanças da vida. Ontem criança, hoje adulto, amanhã idoso. Este espaço é para provocar diálogos que possam ajudar a mudar o meu jeito de olhar. E quem sabe você também entra nessa? Seja bem vindo, comente, critique, o anonimato aqui é bem vindo.

terça-feira, 18 de março de 2008

A felicidade não tem misencene.

No sábado passado, eu conversava com um amigo, o Helder Quiroga, e chegamos a esta conclusão. A felicidade não tem misencene, não tem glamour, não desperta sentimentos extremados. A felicidade é tão simples e boba que nem merece uma cena. Passa nas sutilezas e muitas vezes a gente nem vê. Já disse a ela da necessidade de ser mais atuante e ela me disse que não quer, está disposta só a simplicidade e aos simples de coração. Baranga!


Já a tristeza, tem todo um espetáculo para ser produzido, é o drama, a dor, o peso, a câmera balançando, balas no ar, carros acelerando, e chute no estômago, falou o Michel Montandon, quando conversamos sobre isso no domingo.


Este papo tem sido recorrente em vários momentos e é motivado pelos males do mundo. Angustia, depressão, medo e stress são os sentimentos mais em alta no mercado. Ninguém tem tempo pra nada, tudo muito corrido. Fazer, ficar pronto e terminar são palavras de ordem e a Angustia uma acompanhante de primeira classe. Ela é uma jovem delicada e gostosa, que faz a gente correr, superar prazos, vencer metas e deixar nosso Pai-trão feliz. Ela massageia o nosso ego com idéias do tipo: você se supera sempre. Você consegue vencer esta loucura do dia-a-dia. Vai campeão, estou com você!


A Depressão é uma senhora mais glamourosa e fina. Veio da Europa, juntamente com a gripe, a cólera, a carie e as doenças venéreas. Tem aquela cara de falta de paciência, um olhar blasê super charmoso, várias jóias e muitos bens. Ela quer a atenção de todos, precisa ser paparicada e nas altas rodas ela é o máximo. Inclusive dizem que no jet set ela organiza grandes orgias com drogas lícitas e muito finas.


O Medo é um jovem fanfarrão que escreve nos jornais e revistas para mostrar toda a sua força para o resto da sociedade. É este belo mancebo que faz a gente andar com os vidros fechados, tremer as pernas quando precisamos encarar uma rodovia com possantes caminhões, não andar a pé pelo centro, esperar a qualquer hora uma crise econômica e claro, que o Lula te roube. Ele é completamente irresponsável e não pensa no outro, seu único pensamento é alimentar as páginas com notícias que vendem. E vendem mais que o jornal, vendem câmeras de segurança, carros mais possantes, casas mais seguras, escolas com grades, roupas elegantes, carro blindado, etc.


A Stress concorre em glamour e fama com a Depressão, são quase Mãe e Filha. Mas a Stress é mais jovem e bonita, namora com o Medo e está em todas as páginas de jornais. O que ela adora mesmo é participar de livros de auto-ajuda. O Antônio Roberto e você, é o seu melhor amigo. Mesmo que a capa do livro tenha sido: É possível ser feliz? Quem ocupa a maioria das páginas, é ela, a Stress e não com uma interrogação, uma muleta de acompanhante, mas com uma bela exclamação, uma varinha de condão.


Agora vem a revelação que eu li no copo de Brahma, que é Divindade Indu e não cerveja. O Medo, que namora a Stress, estava tendo um caso com a Angustia, dizem que já rolava há alguns anos. Quando a Stress descobriu foi um barraco: arrancou os cabelos, gritou, deu chilique, sapateou com o seu prada no capô da ferrari do Medo, foi um escândalo que vendeu mais revista que a Luciana Vedramini pelada. A Angustia, muito fina, procurou a Stress e conversaram muito. Foram mais de quatro horas sentadas no café com letras e três garrafas de Veuve Clicquot depois já estavam as gargalhadas. Chegaram a conclusão que o Medo é mesmo um putão e que eles vão ter um relacionamento a três. Uma coisa bem moderna com um quê de Jorge Amado as avezas: Sr. Medo e suas duas esposas.


Quem não gostou nada dessa história e de todo o bafafá que gerou, ocupando dias e mais dias na mídia, foi a Depressão. Para superar ela organizou várias festas, um final de semana inteiro na Jô, outro NaSala com direito a cascata de Veuve Clicquot e vários comprimidos coloridos decorando o lugar, a próxima será uma rave em escarpas e com uma surpresa: chega esta semana a BH, vindo direto de NY , ninguém mais, ninguém menos que o magnata, Desespero. Rico e influente empresário do petróleo, ele caiu de amores pela Depressão no último reveilon que passaram no atol de biquíni. O que realmente está abalando Paris em chamas e NY em brasas é que eles vão se casar. Um casamento totalmente moderno, muito mais glamouroso que o relacionamento a três do Medo com a Angustia e a Stress. Inclusive já conseguiram com o tio Propina uma reserva na igreja de Lourdes e a recepção será com a inauguração do maior espaço para eventos da cidade. É meus amigos, a dupla De-De, promete ser um ataque mais eficiente do que Tostão e Dirceu Lopes e vão causar mais que a dupla Bin-Bush em época de balanço financeiro das petroleiras. Aja energia!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Pedradas

Ô maldita mulher que me faz perder noites de sono a procura do que eu sou.
Ô maldita mulher que me faz pensar em cada palavra que eu disse.
Ô maldita mulher que me faz pensar em todos os meu atos.
Ô maldita mulher que me deixa sozinho e sai com outro.
Ô maldita mulher que me ouve, mas finge que não.
Ô maldita mulher que a todos quer, menos eu.
Ô maldita mulher que eu sempre procuro.


O que foi que eu fiz para me repugnar tanto?
Será a minha feiúra? A falta de um corpo atlético? Ou serão minhas falas fora de hora?
Maldita, lhe digo que cansei, por isso de hoje em diante te chamo bendita.


Ô bendita mulher que faz minhas noites virarem dia a procura do que eu sou.
Ô bendita mulher que me faz pensar nem cada palavra que digo.
Ô bendita mulher que me faz pensar em todos os meus atos.
Ô bendita mulher que me deixa só e livre para viver.
Ô bendita mulher que escuta os meus devaneios.
Ô bendita mulher que se faz Geni no Zepellin.
Ô bendita mulher que sempre encontro.
Ô bendita mulher que não me quer.


Não te quero mais, te procuro apenas para deixar suas noites mais parecidas com as minhas. Para que a inquietude da alma lhe perturbe e lhe faça pensar em mim. Já quis o teu corpo, hoje enojo e penso em todos que já te possuíram.


Volto no tempo e me coloco no passado onde mulheres como você mereciam pedras. Lhe apedrejo com prazer. Só para depois, vendo você caída e sangrando, poder cuidar das suas feridas.


sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Eu não vou vacinar contra a febre amarela!

A primeira vez que falei esta frase em uma roda de amigos todos me taxaram de alguma coisa: louco, burro, palhaço ou vontade de aparecer! Não tinha nenhum argumento para defender o meu sentimento de não vacinar, só sabia que estava certo, assim, sem provas. Esqueceram e deixaram minha fala como brincadeira. Com seriedade trocaram dicas de postos de vacinação, melhores horários, onde encontrar a vacina etc. Nenhum deles vai viajar para o interior ou para as regiões que tem febre amarela.

Agora é a minha vez de rir da cara deles e talvez da sua que se vacinou a toa e pior, colocou sua saúde em risco. Você que se vacinou, saiba: FOI MANIPULADO ESCROTAMENTE PELA MÍDIA QUE TENTA QUEIMAR O GOVERNO LULA. Para deixar de ser fantoche e sair repetindo tudo o que sai nos jornais leia os textos lincados. Ainda não sei postar link, então você terá o trabalho de copiar e colar o endereço no navegador.

http://tdvproducoes.com/ocomprimido/?p=12

Aqui um médico explica tim-por-tim como a febre amarela se comporta no Brasil. Leiam até o fim, vejam quantos morrem por ano com esta doença e como ela se mantém em algumas regiões do Pais.

http://www.viomundo.com.br/opiniao/alerta-amarelo-a-globo-nos-tempos-da-dengue-e-do-apagao-eletrico/

No site do Luiz Carlos Azenha ele desce a lenha e explica.

Um site que vale ser lido sempre e se você tiver um tempinho, leia esta matéria também:

http://www.viomundo.com.br/opiniao/cientista-brasileiro-autor-de-facanha-da-neurociencia-diz-que-parte-da-midia-brasileira-torce-contra/

Não tem nada a ver com febre amarela, é sobre imprensa, governo, ciência e informações escondidas.


Em tempo de eleição eu desconfio de tudo, até de mim mesmo. Caso tenham alguma comprovação contraria, me avisem.

Este blog nunca foi político, mas eu sou naturalmente um ser político, então a tendência da estação é esta.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A culpa é do povo que elege os políticos! E nas nadegas, não vai nada!?

Hoje recebi um email em PPS, que joga a culpa da corrupção e dos desmandos do Brasil no povo. Algumas frases:
“Brasileiro sempre teve a mania de reclamar dos governantes.”
“Reclamava dos administradores das sesmarias e das capitanias hereditárias, dos governadores gerais e dos imperadores”.
“Nas próximas eleições vamos ter novos governantes e o povo vai continuar a reclamar, sabe por quê?”
“Por que o problema não está nos deputados, senadores, presidente, prefeitos e governadores.”
“O problema está naquele que reclama: eu, você, nós! O problema está no Brasileiro.”
“Afinal o que esperar de um povo que sempre dá um jeitinho?”
“Um povo que valoriza o esperto e não o sábio.”
“O povo que aplaude o vencedor do BBB e não sabe o nome de um escritor brasileiro.”
“Um povo que admira o pobre que fica rico da noite para o dia. Ri quando consegue puxar TV a cabo do vizinho.”

E mais umas 10 frases desvalorizando o Brasileiro, reafirmando o complexo de vira-lata e jogando a culpa do nosso desgoverno na população. Escrevi a resposta e sei que, em ano de eleição terei que usá-la mais umas 200 vezes.

Acabei de ler o seu email e em tempo de eleição é bom pensar. Este Email parece inocente, inteligente e positivo! Mas não é, pelo contrário, ele colabora para continuarmos na mesma quando não mostra o verdadeiro problema.
Mostrando nossos podres, ele tenta colocar toda a culpa no povo, ou mais, nos pobres, porque rico não aplaude vencedor de big brother ou joga lixo nas ruas...
Por que somos assim?? Por que temos dificuldades com horários, regulamentos??

O big brother surgir na Dinamarca e é um fenômeno mundial, nas TVs americanas tem reality shows de tudo, cozinha, hotel, bordel, oficina mecânica... ah e os americanos devem ler menos que os brasileiros. É clara uma queda intelectual em todo mundo, antes precisávamos guardar toda a informação possível, hoje podemos usar uma memória virtual. Isso não podemos dizer se é bom ou ruim, pelo menos por enquanto.
Reclamar dos políticos acontece em todos os Países, na Itália, casos de corrupção e ligação de políticos com a máfia geraram a operação mão limpas no final da década de 1990. Aliás, historicamente reclamamos menos que a população dos países desenvolvidos. Tentar burlar as leis com um "jeitinho" também acontece em outros lugares. Falta de civilidade também não é uma exclusividade do Brasil.

Ao jogar a culpa no povo, o reacionário, direitoide e filho da puta que fez este PPS, responsabiliza o pobre, o desamparado, o ignorante pelas nossas mazelas. E mais, deixa no nosso subconsciente um recado de que somos impotentes frente ao resto.
Eu sou povo, operário da comunicação, não jogo lixo na rua, não acompanho bbb, não burlo a burocracia com pequenas fraudes, conheço os 10 maiores escritores brasileiros e estou sempre lendo algum livro. Reclamo dos políticos, tenho anotado o nome de todos em que votei e acompanho as suas ações. Eu sou uma parte do povo que teve escola de qualidade, uma família estruturada, com Pai e Mãe recebendo bons salários, acesso a saneamento básico e a universidade. Com estes recursos despertei minha consciência política e senso crítico. Conheço os partidos, as manobras e sei em quem não votar. O próximo passo é escolher em quem votar.

E por que eu sou este cidadão tão diferente do geral, se analisarmos o PPS?
Na verdade não sou tão diferente, todos nós somos um pouco assim, o problema é que a maioria não teve acesso a boas escolas, não teve uma família estruturada e nem saúde para levar uma vida digna.

Os políticos sempre souberam que um povo sem educação e faminto é mais fácil de ser governado. Por isso sempre mantiveram o povo sob suas rédeas... lembra dos coronéis do nordeste?? coronéis = lugares com menos escolas e maior número de analfabetos.
O povo não pode ser culpado por ter sido enganado!!!
As transformações políticas e sociais surgem exatamente quando o Brasil deixa de ser 80% agrário e a população migra para os grandes centros, décadas de 1970, 80 e que resultou na eleição do Lula. Na cidade grande o acesso a condições mínimas de sobrevivência e educação são mais fáceis que no interior. A troca de idéias entre as pessoas, maior convívio social, também é motivo para melhorar a educação e a formação do povo.

Nas próximas eleições votarei em quem defende a educação, o saneamento básico, melhores salários, transporte público e condições de vida digna para os pobres. Nossos compatriotas merecem vida melhor, direito a pensar por si mesmos, sem o estômago roncando e os filhos chorando. Não vou reeleger ninguém, é importante o revezamento no poder. Não voto em nenhum partido de direita, ou que defenda em primeiro lugar questões econômicas e políticas, deixando em segundo plano educação, saneamento básico e saúde.

Eu tenho certeza, a culpa é de um sistema político elitista, bem armado e safado, que rouba a todos nós. Um sistema político enraizado em nossa cultura, que dribla as leis em benefício próprio, que usa o jeitinho não apenas para burlar a lei, mas para demonstrar que tem status, relacionamento e por isso está além das leis. “Alguém ai conhece alguma pessoa no Detran para tirar uma multa pra mim??”

Dá próxima vez que te jogarem a culpa pelos desmandos de nossos governantes, diga: eu luto contra um sistema de 500 anos, um sistema patriarcal, hereditário e sustentado na corrupção dos menores pelos maiores. Um sistema que só permitiu o voto do povo nos últimos 50 anos. Ou você acha que foi o povo que elegeu os donatários das sesmarias ou o primeiro presidente do Brasil?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Manifesto EMO, ou homem também chora.

Semana passada assisti ao filme Maria, com a Juliet Binochet e que está em cartaz no Belas Artes. Recomendo e esta primeira frase é para deixa-lo com vontade de ver o filme. Saí do cinema conversando com uma amiga, chegamos a uma conclusão: as mães não ensinaram aos homens a fazer o papel de mulheres. Explico. Assistimos no final do século passado um grande movimento de libertação das mulheres, antigamente pressas sob o julgo masculino. A sociedade moderna prega a igualdade entre os sexos e o fim da sociedade patriarcal. Gradativamente a mulher ganha espaço e respeito, mesmo ainda não sendo remunerada como deveria. Antigos espaços exclusivamente masculinos, agora já são dominados pelas mulheres. E elas querem mais e estão conseguindo, até mais rápido que muito macho esperava.
As mulheres conquistaram novos espaços e os homens?? Os homens têm perdido espaço, cabeça e noção de tudo. Cada dia mais voltados para os próprios umbigos, fazem guerra, espalham o ódio e a intolerância, lutam por nada e parecem querer destruir o planeta. Dá vontade de chorar quando vejo a fome na África e as guerras no Oriente Médio. Mas espere ai... já tem muita gente chorando. A ficha caiu.
A nova geração, os EMOs, são os homens do futuro! São as pessoas que vão concretizar as mudanças que começaram no século XX. Mais acuados do que qualquer geração, eles não pedem paz, não tem um engajamento político e nem fazem manifestações contra o sistema. Eles choram. Maquiados e com roupas que misturam a agressividade punk e a delicadeza das grandes grifes, esta geração só quer carinho e amor. Não querem lutar, não querem gritar, querem chorar. Chorar de raiva, de medo, de pânico, numa sociedade que só sabe segregar e espalhar o terror.
Eu também choro e me confraternizo com eles. Os homens estão precisando aprender a chorar, lavar, passar, cozinhar, cuidar das crianças, arrumar a casa e lavar banheiro. Inclusive porque muitas mulheres não sabem e não vão aprender. Hoje além de trabalhar fora elas exigem a divisão das tarefas diárias e cuidar da família também é papel de macho.
Então meu caro machão que está lendo este texto e achando uma viadagem, procure a mamãe e peça à ela que te ensine a costurar, lavar, passar... para manter uma mulher em casa você vai precisar muito mais do que dinheiro, vai precisar saber o que ela sabe. E não é esta a sociedade da informação? Então, elas estão ficam mais bem informadas do que você.
E não se assustem, assumir o lado feminino não é nada ruim. Ser mais sensível, delicado com as coisas ao redor, andar com roupas limpas, fazer um corte de cabelo legal, pode até ser divertido e no fundo, te digo, serve para conquista-las, as mulheres gostam de homens sensíveis. Mas sem frescura, porra! Ainda somos nós que vamos matar as baratas, trocar o chuveiro, abrir a porta do carro, instalar o varal e descobrir o problema na conecção da net.
Fico imaginando como serão os EMOS Pais de família. Criados com a eterna sensação de insegurança e medo, eles não vão trocar o chuveiro, primeiro porque o Papai não ensinou, depois porque tem medo de levar choque e por último porque é muito mais fácil ligar para o bombeiro hidráulico e pronto.
É, não vão fazer mais homens como antigamente, ainda bem!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Qual o problema?

Me impressiona como a "síndrome de vira-lata" está enraizada na mente dos Brasileiros. Definida pelos psicólogos que acompanhavam a seleção Brasileira nas décadas de 1950 e 1960, o termo foi eternizado pelo cronista Nelson Rodrigues. Era a justificativa para o medo e o respeito excessivo que a seleção tinha de outros times. Éramos os vira-latas e temíamos os puros-sangues Ingleses, Germanos, Italianos, Espanhóis. Putz grila, haja baixo estima!
Ainda hoje, vejo gente enchendo o peito e falando: o problema do Brasil é o Brasileiro, ou, o que fode o Brasil é o jeitinho Brasileiro. Para justificar as falas, a velha idéia de que a escoria européia veio para o Brasil ou que o Brasileiro é desonesto por natureza.

É lamentável a falta de amor próprio e de informação. Para início de conversa, durante o século XVIII vieram, somente para as Minas Gerais, mais de 300.000* pessoas. Este contingente é maior que a população inteira de Portugal na época. Por volta de 1765, a população de Ouro Preto era de aproximadamente 20.000*, uma das 3 cidades mais populosas do mundo, na época. Agora me digam, quem foi o estúpido historiador que inventou a lenda de que somente renegados, degredados, a escória veio pra cá? Desde quando o clero e os monarcas iriam deixar as maiores minas de ouro do mundo nas mãos de degredados? Faz me rir, as lendas e os seus repetidores.


Ah, tem mais, muito mais. No século seguinte, as minas de ouro depois de rederem mais mil toneladas e financiarem as lutas Inglesas contra Napoleão, entraram em decadência*. Ao mesmo tempo foi descoberto o Distrito Diamantino. Para se ter uma idéia da quantidade de diamantes, extraídos das catas – minas a céu aberto, únicas no mundo – foram suficientes para quebrar banqueiros e judeus por toda a Europa, ao ponto de muitos abandonaram o oficio de joalheiros, crentes de que a pedra nunca mais iria alcançar o valor de mercado anterior, devido a tamanha oferta.** Mais uma vez eu pergunto, algum banqueiro em sã consciência iria deixar estas riqueza nas mãos de aventureiros? Tudo bem que eles não vinham para se fixarem aqui, queriam pegar o ouro e voltar, mas dizer que eram apenas renegados, aventureiros e usar isso como justificativa para os nosso problemas sociais é no mínimo raso. E para mim, uma ofensa.


A nobreza, o clero e a coroa Portuguesa, que formavam a elite que para cá se dirigiu, se organizaram muito bem, se uniram e estavam determinados a manter a todo custo as suas regalias e riquezas. Precisavam lutar contra uma horda de aventureiros, eles também vieram, escravos, índios e invasores de outros Paises. Esta elite, por incrível que pareça, ainda está no poder. Em Alagoas por exemplo, grandes usineiros são herdeiros de capitães donatários. Em Minas Gerais também, muitas famílias da elite política atual, são descendentes diretos dos primeiros donos das terras, que foram doadas pela Coroa, ou seus novos aliados, que prosperaram aqui.


Então, antes de falar do meu povo, dobre a língua. Sou miscigenado, vira-lata PO e isso, biologicamente falando, me garante maior resistência contra parasitas e microorganismos. Sou vira-lata, safo, malandro e me viro em qualquer ambiente. Me adapto com facilidade, camuflo, disfarço, faço e aconteço, tudo para sobreviver. E isso não tem nada a ver com ética ou moral. Esta visão anti-ética, amoral e corrupta, é uma criação moderna, não tem nem 50 anos e é reflexo do choque entre uma elite bem aparelhada e forte, contra um proletariado abandonado e desprovido de recursos.

É lindo, sentar no troninho de classe media, pegar uma cerveja gelada, acender um cigarro e soltar: o povo Brasileiro tem o pais que merece. É mesmo? Será que não tem algumas pessoas por ai, muito bem articuladas, lidas e corridas, afim de te manter neste comodismo e o restante da população convencida de que não tem forças para mudar?

Enquanto o sentimento de povo não atingir a classe media, ela vai continuar a querer ser elite e renegar sua condição de proletariado. O proletariado sem os seus membros esclarecidos, que ganharam o status de “classe média”, se vê ainda mais só e abandonado. Ai sim, ele rouba, mata, corrompe e faz o diabo a quatro para sobreviver.

E sempre foi mais ou menos assim, dos nossos antepassados negros, que engoliam pepitas de ouro para libertar os companheiros, aos índios, que escondidos nas matas, matavam os bandeirantes um a um, para provocar maior terror. Do árabe que atravessou meio mundo para negociar com os mineiros, ao Judeu, que veio conferir de onde saia tanto diamante e como ele poderia conseguir alguns. Somos um resumo do mundo, somos plurais, dos cabelos aos neurônios.

*In: As Veias Abertas da América Latina. Eduardo Galeano, 1990
**In: Memórias do Distrito Diamantino. Joaquim Felício dos Santos, 1868

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Ah bruta flor do querer!

Já passei da fase de sair todo dia, de conhecer várias mulheres e querer levar todas para a minha cama. Por incrível que pareça, isso cansa e se torna chato, vazio e sem graça. O jogo da conquista, da sedução, a troca de olhares, o flert, a abordagem, o primeiro toque, o primeiro beijo, já tiveram uma magia, hoje é mais racional. É pá pum! Acredito que as mulheres têm responsabilidade sobre isso. O certo é que perdi a paciência e hoje só empenho se a figura me tesar de verdade.

Lembro de uma passagem, auto sabotagem explícita, fruto da bebedeira e de uma época de baixo estima. Estava na pista de dança e comecei a flertar com uma mulher linda, de estética totalmente condizente com os padrões contemporâneos. Alta, loira, cabelo preso em rabo de cavalo, olhos claros, maquiagem equilibrada, sorriso lindo! Começamos o flert, percebi que era recíproco. Era a hora de descobrir o que falar. Uma frase e pronto, o som da pista não permitia muita coisa. Ela olhou de novo e sorriu, a química estava funcionando! Era a “deixa”, tinha que “chegar chegando”. Desviei o olhar em uma atitude pseudo-blase, para dar uma valorizada. Tudo perfeito, só falta a frase...

Quando volto meu olhar, seu rosto está a poucos centímetros do meu e ela sussurra em meu ouvido.

_Acho que estamos pensando a mesma coisa.

E sem titubear, com a segurança e a certeza que todo homem precisa ter diante de um monumento daqueles eu soltei:

_Uai, não sei, não sou adivinho!

Sem me responder ela virou as costas e se jogou na pista... não houve como reverter a situação, não adiantava correr atrás, fazer gracejos, pagar cerveja, nada iria remediar aquela resposta estúpida.

Que diabos deu na cabeça daquela gostosa para vir me abordar? Porra!! Este era o meu papel! Eu tinha que ir até lá e falar algo interessante, fazê-la rir numa expressão meio dúbia. Depois mais uma frase, um sorriso mais aberto, neste momento pegaria na mão dela, em seguida era o abraço fatal e o beijo! Pronto! Assim como todo mundo sabe, é uma regra social. Mas não, a mulher tinha que ser uma dessas modernas, descoladas, cheias de atitude, do jeito que eu gosto e no dia não dei conta.

Putz grila, com a emancipação feminina, nós homens, precisamos nos emancipar também. Precisamos nos livrar destes padrões de comportamento ultrapassados e entender que elas também podem e chegam junto. Elas têm desejos e podem estar afim apenas de um sexo casual, assim como nós machos dominantes saímos a caça, elas também o fazem. Precisamos recriar a arte do flert, reinventar os relacionamentos, criar novos paradigmas sexuais e aceitar a igualdade até na hora da conquista. Elas seduzem, conquistam e metem o pé na bunda, do mesmo modo que os machões do passado faziam.

E não me venha com aquele discurso hipócrita que não namora com mulher que transa na primeira noite. Se acredita nisso vai encontrar uma mais malandra do que você, comilão, e ela vai fazer de difícil. Na primeira vez que ficarem, nem bolinar os peitos vai poder. Na segunda talvez role um sarro no carro. E depois do namoro certo, ai sim, pode rolar o sexo. E você machão, vai ter a certeza que está ficando com uma pudica, que reprime os desejos em prol dos bons costumes. Se lascou, ela prefere sexo anal, para preservar a xoxota. Ela já comeu mais gente do que você, conhece mais prazeres e é muito bem resolvida. Inclusive, a tal ponto de conseguir reverter aquele probleminha de ejaculação precoce que você não conta nem pro Doutor.

Com participação especial de Ana Magalhães.