Acabei de receber por e-mail uma carta muito importante. Compartilho as idéias e as dúvidas desse pai, que clama por educação e justiça em nosso estado. Um estado que é governado por uma corja que controla os meios de comunicação e manipula a população. É preciso colocar a boca no trombone e conscientizar mais gente sobre este desmando.
Bom dia,
Sou um homem de 42 anos e penso viver em um país democrático onde os direitos dos cidadãos são respeitados, ou melhor deveriam ser, a imprensa que sempre viveu em busca de liberdade de expressão e vive falando sobre isso na TV não está ligando a mínima para os problemas do país. Hoje aqui em Minas Gerais lutamos para que nossos filhos tenham um pouco de dignidade e um futuro que não precisa ser igual a maioria dos pais, exemplo eu, sou vendedor autônomo e luto por dias melhores para minhas filhas, uma de 11 anos e outra de 16 anos, que estão impedidas de estudarem por negligência de um Governador que insiste em colocar Minas Gerais como exemplo da nação.
Que Minas é essa, que não paga os professores o que lhes é devido e ainda colocam cabresto nas emissoras para não divulgarem uma greve que causa vergonha aos governantes? Será que o Governador Aécio tem recebido em dia? Onde está a TV e a liberdade de imprensa tão falada? Porque ninguém está falando da greve dos professores aqui em Minas, onde estão as Televisões que não divulgam?
Peço-lhes encarecidamente como cidadão brasileiro e Mineiro que sou, que vocês MIDIA tomem providência a respeito disso, pois o movimento de ontem na praça da Liberdade juntou mais de 20.000 professores de toda a Minas Gerais e nada saiu na TV. Porque isso ? Por 16 anos os professores mineiros trabalham sem aumento salarial. E o que tenho eu com isso tudo? Sou um pai preocupado com os estudos de minhas filhas que estou sendo obrigado a mudar de estado para que minhas filhas estudem! Esse é o país que moro, essa e a imprensa que temos e esse e o Governador de Minas. Talvez se voltássemos no tempo seria Aécio / Anastásia, o famoso Faraó dos tempos bíblicos, que reinava entre leite e mel e deixava o povo comer as sobras que lhe eram dadas.
Acorda Imprensa Brasileira, Acordem por favor! Agora que Minas Gerais precisa de vocês, não os vejo em lugar algum, nosso estado que é modelo em Educação forma-se analfabetos por causa de cobrança em cima dos professores que não podem reprovar, ONDE ESTÃO REDE GLOBO, BANDEIRANTES, RECORD, SBT, procuro e não vos acho, será que são virtuais, somente virtuais?
Um Pai que quer o melhor para seus filhos e não pode pagar uma escola particular.
A carta não veio assinada e acho que nem precisa, qualquer cidadão consciente pode assiná-la e divulga-la.
Frito melões, abacaxis, pepinos e salgadinhos em geral. Chapa quente, caldeirão fervendo e pratos finos sobre a mesa.
Acredito no estado eterno de mudanças.
Gosto de ver as mudanças da vida. Ontem criança, hoje adulto, amanhã idoso. Este espaço é para provocar diálogos que possam ajudar a mudar o meu jeito de olhar. E quem sabe você também entra nessa? Seja bem vindo, comente, critique, o anonimato aqui é bem vindo.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Um hoax legal.
Acabei de receber de um amigo, via e-mail, um texto de autoria de um suposto Pedro Lima - Economista e professor de economia da UFRJ. Em uma busca rápida no google não encontrei o sujeito nos quadros da Universidade e o mais próximo que encontrei foi um Pedro Lima no Centro Angolano de Altos Estudos Internacionais. Aliás, o melhor de tudo é o debate no Blog do Joel Santana 13, que também publicou o texto, mas não verificou a fonte. O debate se limita a questinar a fonte, já que os interlocutores não têm como questionar o conteúdo.
Independente de quem escreveu e provavelmente foi alguém de dentro do PT o texto vale como instrumento de reflexão sobre a situação do País. Não sei se votarei em Dilma, mais provável que vote no primeiro turno em Heloisa Helena. Minha opção é sempre mais a esquerda, na busca de melhores projetos sociais a assistência básica aos cidadãos mais necessitados.
Porque continuo sendo Lula.
FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de Sociologia quanto o governador de São Paulo, José Serra, entende de economia. Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; e que também não entende de economia; pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos [14 universidades públicas e entendeu mais de 40 campi], e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade [meio milhão de bolsa para pobres em escolas particulares].
Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares [valores de janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria FHC.
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG-Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior programa de energia alternativa ao petróleo do planeta].
Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20].
Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no cargo de primeira ministra, e que pode inclusive, fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha (a convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir; e hoje o PAC é um amortecedor da crise.
Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre [como também na linha branca de eletrodomésticos].
Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor do mundo para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros...].
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com George Bush - notada até pela imprensa americana - e agora tem a mesma empatia com Barack Obama.
Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador;.. é amigo do tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO - American Federation Labor-Central Industrial Congres - a central de trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única...]e entra na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto com o Tio Sam lá, nos "States".
Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa; é ator da [maior] mudança geopolítica das Américas [na história].
Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.
Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas; faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.
Lula, que não entende nada de nada;.. é bem melhor que todos os outros...!
Para saber o que é um Hoax clique aqui.
Independente de quem escreveu e provavelmente foi alguém de dentro do PT o texto vale como instrumento de reflexão sobre a situação do País. Não sei se votarei em Dilma, mais provável que vote no primeiro turno em Heloisa Helena. Minha opção é sempre mais a esquerda, na busca de melhores projetos sociais a assistência básica aos cidadãos mais necessitados.
Porque continuo sendo Lula.
FHC, o farol, o sociólogo, entende tanto de Sociologia quanto o governador de São Paulo, José Serra, entende de economia. Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores; e que também não entende de economia; pagou as contas de FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda empresta algum aos ricos.
Lula, o analfabeto, que não entende de educação, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos [14 universidades públicas e entendeu mais de 40 campi], e ainda criou o PRÓ-UNI, que leva o filho do pobre à universidade [meio milhão de bolsa para pobres em escolas particulares].
Lula, que não entende de finanças nem de contas públicas, elevou o salário mínimo de 64 para mais de 291 dólares [valores de janeiro de 2010], e não quebrou a previdência como queria FHC.
Lula, que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo. Embora o PIG-Partido da Imprensa Golpista, que entende de tudo, diga que não.
Lula, que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país à liderança mundial de combustíveis renováveis [maior programa de energia alternativa ao petróleo do planeta].
Lula, que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8 [criou o G-20].
Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu; mandou às favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul, especialmente para os vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista. Tem fácil trânsito junto a Chaves, Fidel, Obama, Evo etc. Bobo que é, cedeu a tudo e a todos.
Lula, que não entende de mulher nem de negro, colocou o primeiro negro no Supremo (desmoralizado por brancos) uma mulher no cargo de primeira ministra, e que pode inclusive, fazê-la sua sucessora.
Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha (a convite dela) e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.
Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de Keynes, criou o PAC; antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora de o Estado investir; e hoje o PAC é um amortecedor da crise.
Lula, que não entende de crise, mandou baixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre [como também na linha branca de eletrodomésticos].
Lula, que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais; é respeitado e citado entre as pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual [o melhor do mundo para o Le Monde, Times, News Week, Financial Times e outros...].
Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha empatia e relação direta com George Bush - notada até pela imprensa americana - e agora tem a mesma empatia com Barack Obama.
Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador;.. é amigo do tal John Sweeny [presidente da AFL-CIO - American Federation Labor-Central Industrial Congres - a central de trabalhadores dos Estados Unidos, que lá sim, é única...]e entra na Casa Branca com credencial de negociador e fala direto com o Tio Sam lá, nos "States".
Lula, que não entende de geografia, pois não sabe interpretar um mapa; é ator da [maior] mudança geopolítica das Américas [na história].
Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.
Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas; faz história e será lembrado por um grande legado, dentro e fora do Brasil.
Lula, que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo, já é cotado pelos palestinos para dialogar com Israel.
Lula, que não entende nada de nada;.. é bem melhor que todos os outros...!
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terça-feira, 30 de março de 2010
Parada pateta
Este final de semana teve parada disney em Belo Horizonte. Mickey, pato donald e sua turma mobilizaram a prefeitura para realizar várias intervenções na orla e dar passagem a grandes carros alegóricos. Além de eleitoreira, a festa era propaganda da Nestlé, que anda matando orangotango para fazer chocolate. Mas deixa quieto, são detalhes demais. Se eu começar analisar todos chegaremos à inoperância da Fundação Municipal de Cultura, nos desmandes do prefeito pateta e nos devaneios de um governador que pensa ser rei.
A parada me fez pensar na minha infância. Nunca gostei dos personagens disney. A voz do pato donald é insuportável. O Mickey sempre me pareceu idiota demais e o tio patinhas é o cara mais babaca que eu conheço. Que tio é esse que tem milhões e deixa os sobrinhos sem nada? Acho que foi este exemplo que me fez odiar literalmente toda a turma. Fui criado em uma casa onde a solidariedade e o cuidado com o próximo eram cultuados em alto grau. Referências de humanismo e solidariedade me fizeram odiar disney.
Minha mãe comprava revistinhas, e eu pedia: Mãe troca esta, prefiro da Turma da Mônica. A baixinha dentuça, invocada e muito violenta me era mais aprazível que os sovinas e individualistas estadunidense. O Cebolinha era um bobão, mas ele tinha amigos. E o mais engraçado disso tudo é que ninguém fez a minha cabeça ou me direcionou neste sentido. Demorei a perceber que as sutilezas da minha educação me levaram para fantasias no Sítio do Pica-pau Amarelo, com a Turma da Mônica e do Menino Maluquinho. Quem não leu o Poço do Visconde, não pode fantasiar com o pré-sal antes dele existir. Monteiro Lobato além de fantástico já gritava: o petróleo é nosso! E eu sonhava com um poço no quintal de casa.
Acho que isso provocou em mim um certo anti-americanismo na adolescência. Hoje já superei e admiro a cultura norte-americana em várias questões. Inclusive na sua capacidade de se alastrar pelo mundo e massacrar a cultura de outros países. A dominação econômica é garantida pela dominação cultural.
Hoje posso me orgulhar de ter uma atitude coerente e continuo preferindo manifestação na prefeitura a parada disney, Monteiro Lobato a disney e consciência política e cultural ao invés de alienação num mundo fantástico e torpe.
A parada me fez pensar na minha infância. Nunca gostei dos personagens disney. A voz do pato donald é insuportável. O Mickey sempre me pareceu idiota demais e o tio patinhas é o cara mais babaca que eu conheço. Que tio é esse que tem milhões e deixa os sobrinhos sem nada? Acho que foi este exemplo que me fez odiar literalmente toda a turma. Fui criado em uma casa onde a solidariedade e o cuidado com o próximo eram cultuados em alto grau. Referências de humanismo e solidariedade me fizeram odiar disney.
Minha mãe comprava revistinhas, e eu pedia: Mãe troca esta, prefiro da Turma da Mônica. A baixinha dentuça, invocada e muito violenta me era mais aprazível que os sovinas e individualistas estadunidense. O Cebolinha era um bobão, mas ele tinha amigos. E o mais engraçado disso tudo é que ninguém fez a minha cabeça ou me direcionou neste sentido. Demorei a perceber que as sutilezas da minha educação me levaram para fantasias no Sítio do Pica-pau Amarelo, com a Turma da Mônica e do Menino Maluquinho. Quem não leu o Poço do Visconde, não pode fantasiar com o pré-sal antes dele existir. Monteiro Lobato além de fantástico já gritava: o petróleo é nosso! E eu sonhava com um poço no quintal de casa.
Acho que isso provocou em mim um certo anti-americanismo na adolescência. Hoje já superei e admiro a cultura norte-americana em várias questões. Inclusive na sua capacidade de se alastrar pelo mundo e massacrar a cultura de outros países. A dominação econômica é garantida pela dominação cultural.
Hoje posso me orgulhar de ter uma atitude coerente e continuo preferindo manifestação na prefeitura a parada disney, Monteiro Lobato a disney e consciência política e cultural ao invés de alienação num mundo fantástico e torpe.
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quarta-feira, 10 de março de 2010
Manifeste-se
Quando entrei na faculdade de publicidade e propaganda da PUC em 1997 um fato chamou a minha atenção. Vários colegas nunca haviam ido a pé à Praça Sete, marco central de BH. Alguns afirmavam que sabiam onde era, já haviam passado de carro, mas nunca precisavam ir lá. E alguns me perguntaram por que eu estranhava aquilo, na savassi, onde a maioria circulava era possível encontrar tudo.
Treze anos depois vejo que esta questão se alastra. Cada um no seu gueto e o espaço público fica livre para pedestres e só. Em condomínios fechados, nos shoppings, em bairros de alta classe com tudo o que precisam jovens crescem sem ter o contato com a cidade, com outras classes sociais, com o diferente. E com o aval da violência tudo fica justificado. Usar o transporte público é perigoso, andar pelo centro é perigoso, circular pela cidade é perigoso, viver longe do gueto é perigoso.
Estes jovens nunca participaram de uma manifestação pública, nunca foram às ruas lutar por passe livre, meia entrada, melhores escolas, cotas, decretos municipais, etc. Talvez nunca saberão o que é participar de uma manifestação popular, o que é fazer política. Negociar, mobilizar, articular, são verbos que eles não sabem conjugar. E isso não é da conta deles, política é coisa de corrupto e melhor não envolver.
Se a carapuça serviu, mas na luta pelas diretas você nem era nascido e no Impeachment do Collor você era muito novo, ainda resta uma chance. Tem um pessoal aqui em BH engajado em um movimento que se chama: Praça Livre. E lutam contra um decreto do prefeito que proíbe a realização de evento de qualquer natureza na Praça da Estação. Isso a princípio, porque desde o último sábado este movimento ganhou outras caras, muitas outras e naturalmente vai ampliar seu leque de ações.
Este ano a prefeitura reduziu drasticamente as verbas para a cultura, não teremos FIT! E se você quiser saber um pouco mais sobre os desmandos do Sr. Márcio Lacerda, leia o DOM. Se quiser conhecer mais sobre o movimento Praça Livre, tem este blog. Se tiver medo, fique em casa, curta seu bairro, vá ao shopping, ao clube, mas depois não reclame do vazio na sua vida, na sua praça. Vai ficar chato você chegar ao analista e apresentar uma vida boba, sem interação social e sem ação, onde as preocupações estão relacionadas a sua capacidade de consumo, ao seu peso, roupa, modelo de carro, ou de namorada que está usando no momento.
Treze anos depois vejo que esta questão se alastra. Cada um no seu gueto e o espaço público fica livre para pedestres e só. Em condomínios fechados, nos shoppings, em bairros de alta classe com tudo o que precisam jovens crescem sem ter o contato com a cidade, com outras classes sociais, com o diferente. E com o aval da violência tudo fica justificado. Usar o transporte público é perigoso, andar pelo centro é perigoso, circular pela cidade é perigoso, viver longe do gueto é perigoso.
Estes jovens nunca participaram de uma manifestação pública, nunca foram às ruas lutar por passe livre, meia entrada, melhores escolas, cotas, decretos municipais, etc. Talvez nunca saberão o que é participar de uma manifestação popular, o que é fazer política. Negociar, mobilizar, articular, são verbos que eles não sabem conjugar. E isso não é da conta deles, política é coisa de corrupto e melhor não envolver.
Se a carapuça serviu, mas na luta pelas diretas você nem era nascido e no Impeachment do Collor você era muito novo, ainda resta uma chance. Tem um pessoal aqui em BH engajado em um movimento que se chama: Praça Livre. E lutam contra um decreto do prefeito que proíbe a realização de evento de qualquer natureza na Praça da Estação. Isso a princípio, porque desde o último sábado este movimento ganhou outras caras, muitas outras e naturalmente vai ampliar seu leque de ações.
Este ano a prefeitura reduziu drasticamente as verbas para a cultura, não teremos FIT! E se você quiser saber um pouco mais sobre os desmandos do Sr. Márcio Lacerda, leia o DOM. Se quiser conhecer mais sobre o movimento Praça Livre, tem este blog. Se tiver medo, fique em casa, curta seu bairro, vá ao shopping, ao clube, mas depois não reclame do vazio na sua vida, na sua praça. Vai ficar chato você chegar ao analista e apresentar uma vida boba, sem interação social e sem ação, onde as preocupações estão relacionadas a sua capacidade de consumo, ao seu peso, roupa, modelo de carro, ou de namorada que está usando no momento.
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
A mentira da MAD e os manés!
Esta semana saíu a seguinte matéria no blog da revista Mad: http://mad.blogtv.uol.com.br/2010/02/24/exclusivo-revelamos-sem-medo-de-repressao-a-capa-censurada-da-mad-23 Coloco o link por inteiro para que se possa ler: revelamos-sem-medo-de-repressão-a-capa-censurada-da-mad-23. O texto e as imagens já foram retirados do ar. Nesta capa aparecia uma caricatura de Lulavatar, com o rosto de Dilma num dragão montado pelo Mad e Lula numa máquina de fazer clone. A capa nem é engraçada, é bobinha apenas, como todo o conteúdo da revista. Segundo a editora a capa havia sido censurada pelo governo federal,inclusive era sugerido que o leitor imprimisse a capa censurada para colar na revista como forma de protesto. Agora a revista se justifica dizendo que apenas queria mostar como a mídia pode ser manipiladora, leia aqui.
Com este alarde pela justiça e anti-censura a editora logo encontrou paladinos da verdade para defendê-la dos arrombos censuradores do governo Lula, este filhote de Chaves, que quer impor censura a imprensa brasileira.
Danilo Gentili saiu em apoio a revista injustiçada e publicou o texto, "Ai é que está a graça" - se quiser ler clique aqui - onde ele mostra como os artistas e políticos norteamericanos aceitam as piadas e críticas ao seu trabalho, em contra-ponto aos brasileiros que se sentem ofendidos. E para ilustrar ele cita vários exemplos de personalidades que passaram saia justa com os humoristas, estes paladinos da verdade e da justiça.
Em seguida critica os comediantes brasileiros que fazem piadas sem graças e repetem bordões. O texto poderia até ser louvável se não fosse inocente e bobo. Primeiro as comparações são ridículas: será que o Danilo não sabe que vivemos durante 20 anos uma ditadura financiada pelos EUA e que vários meios de controle, inclusive dos programas de humor, foram aperfeiçoados aqui? Será que ele não sabe que nossas redes de televisão serviram para testes de modelos de massificação? Ou pelo menos conhece o nosso histórico de humor, inclusive do humor sem graça copiado dos estadunidenses? Como os stand-up que já fizeram sucesso aqui na década de 60 como produto importado dos EUA? Esse humor cópia do padrão estadunidense, que ele mesmo tenta fazer?
Parece que além de não saber nada disso, ele ainda embarca na canoa dos manipuladores que inventam uma censura que nunca aconteceu simplesmente para poder manipular a opinião pública contra o governo. Caiu na pegadinha do malandro!
A ingenuidade leva o sujeito a vestir a carapuça dos manipuladores que usaram a sua penetração midiática para vender uma mentira. Parabéns Danilo você demonstrou como somos tolos ao abraçarmos uma causa sem saber o que está por trás dela. Será engraçado ver os políticos manipulando as suas piadinhas e faturando votos com o seu despreparo.
Com este alarde pela justiça e anti-censura a editora logo encontrou paladinos da verdade para defendê-la dos arrombos censuradores do governo Lula, este filhote de Chaves, que quer impor censura a imprensa brasileira.
Danilo Gentili saiu em apoio a revista injustiçada e publicou o texto, "Ai é que está a graça" - se quiser ler clique aqui - onde ele mostra como os artistas e políticos norteamericanos aceitam as piadas e críticas ao seu trabalho, em contra-ponto aos brasileiros que se sentem ofendidos. E para ilustrar ele cita vários exemplos de personalidades que passaram saia justa com os humoristas, estes paladinos da verdade e da justiça.
Em seguida critica os comediantes brasileiros que fazem piadas sem graças e repetem bordões. O texto poderia até ser louvável se não fosse inocente e bobo. Primeiro as comparações são ridículas: será que o Danilo não sabe que vivemos durante 20 anos uma ditadura financiada pelos EUA e que vários meios de controle, inclusive dos programas de humor, foram aperfeiçoados aqui? Será que ele não sabe que nossas redes de televisão serviram para testes de modelos de massificação? Ou pelo menos conhece o nosso histórico de humor, inclusive do humor sem graça copiado dos estadunidenses? Como os stand-up que já fizeram sucesso aqui na década de 60 como produto importado dos EUA? Esse humor cópia do padrão estadunidense, que ele mesmo tenta fazer?
Parece que além de não saber nada disso, ele ainda embarca na canoa dos manipuladores que inventam uma censura que nunca aconteceu simplesmente para poder manipular a opinião pública contra o governo. Caiu na pegadinha do malandro!
A ingenuidade leva o sujeito a vestir a carapuça dos manipuladores que usaram a sua penetração midiática para vender uma mentira. Parabéns Danilo você demonstrou como somos tolos ao abraçarmos uma causa sem saber o que está por trás dela. Será engraçado ver os políticos manipulando as suas piadinhas e faturando votos com o seu despreparo.
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Greve de ônibus, uma velha jogada
Publico aqui o texto da Revista NovaE, que pode ser encontrado também no link acima, é só clicar no título. Recebi este texto por e-mail do meu amigo Erik e três dias atrás o Daniel Poeira também comentou, no twitter, sobre as questões que motivam a greve dos ônibus em BH.
Pelego é um manta de pelo de carneiro usada entre a sela e o cavalo para não machucar o animal. Pelego tambem é o lider sindical manipulado pela classe patronal. Desde que existem sindicados começaram a surgir os pelegos, X9, dedo duro, que são eleitos com o apoio financeiro dos patrões e manipulam o sindicato de acordo com as intenções da classe patronal.
Defendo o direito a greve, melhores salários e condições de trabalho. E sei que as 10 famílias que controlam as 79 empresas licitadas para o transporte público de BH, podem diminuir os seus lucros e melhorar seus serviços. Do contrário, podemos batalhar pela privatização do transporte público, os argumentos seguem no texto.
José de Souza Castro
Os passageiros de ônibus de Belo Horizonte se surpreenderam na manhã desta segunda-feira, 22 de fevereiro, com a greve dos motoristas e trocadores dos ônibus urbanos. Mas, para os chamados operadores do transporte coletivo, nenhuma surpresa. Eles se preparavam para isso desde 17 de dezembro, quando o jornal Estado de Minas afirmou, em manchete, que “passagem de ônibus pode ficar sem reajuste em 2010”. Esse tipo de greve não é coisa nova, como veremos a seguir, e a velha estratégia é tão bem-sucedida que a capital mineira tem uma das tarifas mais altas do país.
Levantamento feito em setembro passado pelo jornal O Globo mostrou que, entre as 27 capitais, só Florianópolis e Campo Grande cobravam tarifas mais altas que Belo Horizonte. A mais baixa, de R$ 1,60, não é reajustada desde julho de 2004. É a de São Luiz. Os donos das 21 empresas concessionárias do transporte coletivo na capital do Maranhão precisam vir a Minas para aprender como se faz.
Mas talvez eles saibam, pois o lobby do setor nessa área é forte e bem conhecido. Tanto que, segundo o IBGE, na década de 1970, no período mais duro da ditadura militar, as famílias com rendimento familiar de 1 a 3 salários mínimos tinham 5,8% do seu orçamento comprometido com o transporte. No início da década de 80, esse gasto passou para 12,4% e na década de 1990 ultrapassou os 15%. Em 20 anos, o gasto foi praticamente triplicado. Só Deus sabe quanto aumentou a contribuição dos donos de ônibus para as campanhas eleitorais, nesse período.
Os reajustes das tarifas deveriam ser decididos de acordo com a evolução dos custos. Há dois fatores que contribuem mais pesadamente para a composição dos custos dos transportes urbanos, segundo estudo do Ministério das Cidades, datado de 2004. São os gastos com pessoal, que chegaram a 51% dessa composição em 1997 e caíram para 40% em 2003, e os gastos com combustíveis que evoluíram de 10% para 23% no mesmo período.
Desses dois, o mais fácil de ser manipulado é o primeiro – e aí entra a questão das greves que se repetem a cada ano, antes do reajuste das tarifas, para justificar os aumentos delas acima da inflação medida por quaisquer dos principais índices inflacionários do país.
É difícil de ser provado, mas certamente existe um pacto secreto entre as empresas que pagam os salários, as autoridades que se beneficiam das contribuições eleitorais e decidem o valor do reajuste, e o sindicato dos trabalhadores em transporte público. Sem essas greves, ficaria difícil, para os dois primeiros, justificar os reajustes abusivos que reivindicam e concedem.
Não é difícil acender o pavio da greve. Como agora, é só o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra) oferecer um reajuste salarial de 4,36% e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte e Região (STTRBH) informar aos associados que reivindicou 37% de aumento, acendendo-lhes as esperanças – e o pavio. Ao pedir um reajuste tão alto, o sindicato prepara o terreno para a greve do próximo ano, alimentada pela eterna frustração dos trabalhadores. E para fingir que não tem nada com isso, o Setra se apressa a informar à imprensa, nas primeiras horas da greve, que 62 ônibus foram depredados desde a meia-noite desta segunda-feira em toda a cidade. (Nada que não possa ser reparado por um bom reajuste nas tarifas e por um seguro bem feito.)
E quanto mais a greve tumultuar a vida da população, melhor. Assim, todos ficam sabendo quais são os culpados por seus infortúnios, na tentativa de conseguir um transporte na cidade. E os culpados nunca são as autoridades. Sem essas greves rotineiras, como justificar que entre julho de 1994 e abril de 2003 a tarifa média em Belo Horizonte tenha subido 314,3%, contra 196,3% em São Paulo e 196,3% em Brasília? Entre as 27 capitais, somente nove tiveram um aumento maior: Boa Vista, Salvador, Rio de Janeiro, Vitória, Campo Grande, Cuiabá, Teresina, Porto Velho e Rio Branco.
De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas, divulgado em setembro de 2007, as tarifas de ônibus urbano lideraram o aumento de preço do transporte público no país entre janeiro de 2001 e agosto de 2007, com alta de 110,61%. A pesquisa da FGV considera os preços das tarifas de sete cidades do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Recife) onde o IPC é apurado.
No fim de 2008, a tarifa na capital mineira foi reajustada em 9,52% em média; em 2007, em 4,7%;e em 2006 em 12,17%. Desse modo, a tarifa média (que estava em R$ 0,35 em julho de 1994) custa, desde o fim de 2008, R$ R$ 2,30, um aumento de 557%, contra alta de 236% do IPCA calculado pelo IBGE. Esse índice mede o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos moradoras nas principais regiões metropolitanas, e é considerado o índice oficial de inflação.
São coisas que a imprensa, em geral, acha pouco interessante para divulgar e analisar. Talvez os editores pensem assim porque é coisa velha que afeta principalmente as pessoas mais pobres. Eles querem novidades ou, então, assuntos gratos àqueles leitores, ouvintes e telespectadores mais privilegiados pelo sistema político e econômico vigente.
Dito isso, é preciso esclarecer um ponto: todos os dados citados acima são reais e podem ser verificados no Google, com exceção da parte que fala de um possível pacto secreto. Essa é uma hipótese fictícia, numa tentativa do autor de encontrar uma explicação para o que se passa com o transporte urbano na cidade. Ele mesmo não acredita que os sindicatos e a autoridades pudessem se organizar em torno de um pacto desses, com todas suas implicações e despistes. Ou seja, é mais uma "teoria conspiratória", mas ela tem um propósito: criar polêmica, para que se discuta realmente a questão do transporte de massa em Belo Horizonte.
Há muitos anos se fala na ampliação do metrô, que é um dos mais atrasados, em implantação e alcance, entre as grandes capitais brasileiras. O site Metrobh afirma, omitindo a data - mas sei que foi há muitos anos - que a CBTU contratou o Plano Diretor de Transporte sobre Trilhos para a Região Metropolitana. "Foi escolhido um cenário que prevê a inserção do Metrô no hipercentro de Belo Horizonte, através de uma linha na diretriz Pampulha/Savassi, cruzando a área central sob a Av. Afonso Pena e a expansão da Linha 2 Calafate-Barreiro em direção à região hospitalar, permitindo a integração com a Linha 1 Eldorado/Vilarinho", informa o site. Em 15 de maio de 2008, o governador Aécio Neves anunciou que até o fim daquele ano seria lançada licitação para levar o Metrô a regiões nobres de Belo Horizonte e à Cidade Administrativa, sendo que 38% dos investimentos previstos em R$ 4 bilhões seriam feitos pela iniciativa privada. O assunto voltou à imprensa em junho do ano passado, como parte das obras para a Copa do Mundo de 2014, agora com um Metrô menor, mas com uma proposta de Transporte Rápido por Ônibus (eles correriam sobre canaletas, como se fossem "um metrô sobre rodas").
São projetos que só sairão do papel se o forte lobby dos donos de ônibus for vencido.
02.2010
Pelego é um manta de pelo de carneiro usada entre a sela e o cavalo para não machucar o animal. Pelego tambem é o lider sindical manipulado pela classe patronal. Desde que existem sindicados começaram a surgir os pelegos, X9, dedo duro, que são eleitos com o apoio financeiro dos patrões e manipulam o sindicato de acordo com as intenções da classe patronal.
Defendo o direito a greve, melhores salários e condições de trabalho. E sei que as 10 famílias que controlam as 79 empresas licitadas para o transporte público de BH, podem diminuir os seus lucros e melhorar seus serviços. Do contrário, podemos batalhar pela privatização do transporte público, os argumentos seguem no texto.
José de Souza Castro
Os passageiros de ônibus de Belo Horizonte se surpreenderam na manhã desta segunda-feira, 22 de fevereiro, com a greve dos motoristas e trocadores dos ônibus urbanos. Mas, para os chamados operadores do transporte coletivo, nenhuma surpresa. Eles se preparavam para isso desde 17 de dezembro, quando o jornal Estado de Minas afirmou, em manchete, que “passagem de ônibus pode ficar sem reajuste em 2010”. Esse tipo de greve não é coisa nova, como veremos a seguir, e a velha estratégia é tão bem-sucedida que a capital mineira tem uma das tarifas mais altas do país.
Levantamento feito em setembro passado pelo jornal O Globo mostrou que, entre as 27 capitais, só Florianópolis e Campo Grande cobravam tarifas mais altas que Belo Horizonte. A mais baixa, de R$ 1,60, não é reajustada desde julho de 2004. É a de São Luiz. Os donos das 21 empresas concessionárias do transporte coletivo na capital do Maranhão precisam vir a Minas para aprender como se faz.
Mas talvez eles saibam, pois o lobby do setor nessa área é forte e bem conhecido. Tanto que, segundo o IBGE, na década de 1970, no período mais duro da ditadura militar, as famílias com rendimento familiar de 1 a 3 salários mínimos tinham 5,8% do seu orçamento comprometido com o transporte. No início da década de 80, esse gasto passou para 12,4% e na década de 1990 ultrapassou os 15%. Em 20 anos, o gasto foi praticamente triplicado. Só Deus sabe quanto aumentou a contribuição dos donos de ônibus para as campanhas eleitorais, nesse período.
Os reajustes das tarifas deveriam ser decididos de acordo com a evolução dos custos. Há dois fatores que contribuem mais pesadamente para a composição dos custos dos transportes urbanos, segundo estudo do Ministério das Cidades, datado de 2004. São os gastos com pessoal, que chegaram a 51% dessa composição em 1997 e caíram para 40% em 2003, e os gastos com combustíveis que evoluíram de 10% para 23% no mesmo período.
Desses dois, o mais fácil de ser manipulado é o primeiro – e aí entra a questão das greves que se repetem a cada ano, antes do reajuste das tarifas, para justificar os aumentos delas acima da inflação medida por quaisquer dos principais índices inflacionários do país.
É difícil de ser provado, mas certamente existe um pacto secreto entre as empresas que pagam os salários, as autoridades que se beneficiam das contribuições eleitorais e decidem o valor do reajuste, e o sindicato dos trabalhadores em transporte público. Sem essas greves, ficaria difícil, para os dois primeiros, justificar os reajustes abusivos que reivindicam e concedem.
Não é difícil acender o pavio da greve. Como agora, é só o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra) oferecer um reajuste salarial de 4,36% e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte e Região (STTRBH) informar aos associados que reivindicou 37% de aumento, acendendo-lhes as esperanças – e o pavio. Ao pedir um reajuste tão alto, o sindicato prepara o terreno para a greve do próximo ano, alimentada pela eterna frustração dos trabalhadores. E para fingir que não tem nada com isso, o Setra se apressa a informar à imprensa, nas primeiras horas da greve, que 62 ônibus foram depredados desde a meia-noite desta segunda-feira em toda a cidade. (Nada que não possa ser reparado por um bom reajuste nas tarifas e por um seguro bem feito.)
E quanto mais a greve tumultuar a vida da população, melhor. Assim, todos ficam sabendo quais são os culpados por seus infortúnios, na tentativa de conseguir um transporte na cidade. E os culpados nunca são as autoridades. Sem essas greves rotineiras, como justificar que entre julho de 1994 e abril de 2003 a tarifa média em Belo Horizonte tenha subido 314,3%, contra 196,3% em São Paulo e 196,3% em Brasília? Entre as 27 capitais, somente nove tiveram um aumento maior: Boa Vista, Salvador, Rio de Janeiro, Vitória, Campo Grande, Cuiabá, Teresina, Porto Velho e Rio Branco.
De acordo com estudo da Fundação Getúlio Vargas, divulgado em setembro de 2007, as tarifas de ônibus urbano lideraram o aumento de preço do transporte público no país entre janeiro de 2001 e agosto de 2007, com alta de 110,61%. A pesquisa da FGV considera os preços das tarifas de sete cidades do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Salvador e Recife) onde o IPC é apurado.
No fim de 2008, a tarifa na capital mineira foi reajustada em 9,52% em média; em 2007, em 4,7%;e em 2006 em 12,17%. Desse modo, a tarifa média (que estava em R$ 0,35 em julho de 1994) custa, desde o fim de 2008, R$ R$ 2,30, um aumento de 557%, contra alta de 236% do IPCA calculado pelo IBGE. Esse índice mede o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos moradoras nas principais regiões metropolitanas, e é considerado o índice oficial de inflação.
São coisas que a imprensa, em geral, acha pouco interessante para divulgar e analisar. Talvez os editores pensem assim porque é coisa velha que afeta principalmente as pessoas mais pobres. Eles querem novidades ou, então, assuntos gratos àqueles leitores, ouvintes e telespectadores mais privilegiados pelo sistema político e econômico vigente.
Dito isso, é preciso esclarecer um ponto: todos os dados citados acima são reais e podem ser verificados no Google, com exceção da parte que fala de um possível pacto secreto. Essa é uma hipótese fictícia, numa tentativa do autor de encontrar uma explicação para o que se passa com o transporte urbano na cidade. Ele mesmo não acredita que os sindicatos e a autoridades pudessem se organizar em torno de um pacto desses, com todas suas implicações e despistes. Ou seja, é mais uma "teoria conspiratória", mas ela tem um propósito: criar polêmica, para que se discuta realmente a questão do transporte de massa em Belo Horizonte.
Há muitos anos se fala na ampliação do metrô, que é um dos mais atrasados, em implantação e alcance, entre as grandes capitais brasileiras. O site Metrobh afirma, omitindo a data - mas sei que foi há muitos anos - que a CBTU contratou o Plano Diretor de Transporte sobre Trilhos para a Região Metropolitana. "Foi escolhido um cenário que prevê a inserção do Metrô no hipercentro de Belo Horizonte, através de uma linha na diretriz Pampulha/Savassi, cruzando a área central sob a Av. Afonso Pena e a expansão da Linha 2 Calafate-Barreiro em direção à região hospitalar, permitindo a integração com a Linha 1 Eldorado/Vilarinho", informa o site. Em 15 de maio de 2008, o governador Aécio Neves anunciou que até o fim daquele ano seria lançada licitação para levar o Metrô a regiões nobres de Belo Horizonte e à Cidade Administrativa, sendo que 38% dos investimentos previstos em R$ 4 bilhões seriam feitos pela iniciativa privada. O assunto voltou à imprensa em junho do ano passado, como parte das obras para a Copa do Mundo de 2014, agora com um Metrô menor, mas com uma proposta de Transporte Rápido por Ônibus (eles correriam sobre canaletas, como se fossem "um metrô sobre rodas").
São projetos que só sairão do papel se o forte lobby dos donos de ônibus for vencido.
02.2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
De Bárbara para Boris.
Acabei de ler um artigo da Bárbara Gancia sobre o episódio Boris e o microfone aberto.
Você pode lê-lo aqui
Mas se não quiser perder tempo, eu resumo: ela afirma que o Boris apenas fazia uma crítica aos editores do jornal que encerraram a matéria com a fala dos garis. Para completar, afirma que o Boris teve uma rusga com Lula recentemente e por isso a impressa esquerdista pegou o Boris para Cristo. Ou seja, Boris é uma pessoa idonea e muito séria, não queria menosprezar os garis e agora sofre uma perseguição dos amigos idiotas latino-americanos do Lula.
O meu comentário:
Concordo com você Bárbara!
A culpa é do Lula e dos idiotas latino-americanos que o defendem. Estão achincalhando o Boris, não pelo que ele falou mas por ter uma rusga com o Lula. Logo ele, o Boris, que é uma pessoa super idonea, não é mesmo!?
Patético a sua tentativa de justificar o injustificável. É claro que ele criticava a linha editorial do jornal que fechou com os garis, e mais claro que era uma crítica elitista, preconceituosa e menosprezadora da atividade alheia. Bonito é ser jornalista e articulista, ancora de jornal, gari é o fim da linha. Mais, indo-europeia, bem mais!
Você pode lê-lo aqui
Mas se não quiser perder tempo, eu resumo: ela afirma que o Boris apenas fazia uma crítica aos editores do jornal que encerraram a matéria com a fala dos garis. Para completar, afirma que o Boris teve uma rusga com Lula recentemente e por isso a impressa esquerdista pegou o Boris para Cristo. Ou seja, Boris é uma pessoa idonea e muito séria, não queria menosprezar os garis e agora sofre uma perseguição dos amigos idiotas latino-americanos do Lula.
O meu comentário:
Concordo com você Bárbara!
A culpa é do Lula e dos idiotas latino-americanos que o defendem. Estão achincalhando o Boris, não pelo que ele falou mas por ter uma rusga com o Lula. Logo ele, o Boris, que é uma pessoa super idonea, não é mesmo!?
Patético a sua tentativa de justificar o injustificável. É claro que ele criticava a linha editorial do jornal que fechou com os garis, e mais claro que era uma crítica elitista, preconceituosa e menosprezadora da atividade alheia. Bonito é ser jornalista e articulista, ancora de jornal, gari é o fim da linha. Mais, indo-europeia, bem mais!
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