Depois de um enorme lenga-lenga as denúncias contra o presidente do senado foram arquivadas. Lideranças partidárias se mobilizaram, acordos aqui e ali, ameaças contra os que tentavam levar a coisa adiante e pronto. Acabou a história e vamos para outra. Sarney deve estar contente por ter feito política da forma clássica, como sempre fez. Ah, o PSOL ainda luta para reabrir a questão, mas infelizmente é uma luta solitária e sem força. Vale mais para percebermos que alguém está realmente na oposição ao PT, PSDB e PMDB.
Não tinha dúvidas sobre este final e isso não me deixa decepcionado, indignado ou revoltado. Pelo contrário, fico feliz em saber que uma grande parcela de brasileiros conheceu melhor os seus lideres. Pelo menos Sarney não morrerá igual ao Tancredo, se passando por santo. Os podres que vieram à tona revelaram como o coronel do Maranhão controla seus comandados. Imagino que ele não esteja envergonhado, imagino que ele nem ligue. Mas seus descendentes levarão para sempre a carga do que ele fez. Seus filhos, netos, bisnetos e tataranetos serão lembrados pelas falcatruas do grande líder.
Para nós, cidadãos comuns, resta o voto, a possibilidade de eleger alguém que possa contribuir para melhorar o país. Um momento. Aqui em Minas Gerais um possível candidato ao senado é o Aécio. O PSDB não o admite como candidato a presidência, vice do Serra ele não quer ser, resta o senado. Com o aparelho que montou por aqui, não restam dúvidas, será eleito com louvores. Infelizmente a internet e os gritos dos twinteiros ainda não chegam ao sertão. Aliás, nem se chegassem, estes panfletários de última hora, gritam por gritarem, são manobrados pelas grandes mídias ou estão dentro delas.
Lembro do papo de boteco entre meu irmão e um amigo nosso. Um deles disse: cara, se eu tivesse grana iria montar um aparelho e incentivar os doentes terminais a matarem políticos que tivessem falcatruas comprovadas. Imagine, se cada soro-positivo matar um político? Um grupo de guerrilha formado por doentes que querem deixar a nação melhor para as futuras gerações. Seria perfeito, outros espontaneamente se juntariam ao bando. Prefeitos, vereadores, deputados, senadores, governadores, todos em pânico. Cara, você é muito louco, os doentes estariam fracos e não conseguiriam fazer o serviço direito, te pegariam facilmente. Seria muito mais eficiente acionar o PCC ou o CV e sugerir: olha, todos que já têm trinta anos de pena devêm matar um político corrupto. Pronto, você não precisaria armá-los e nem ensiná-los a matar. Eles têm todo o aparato pronto para passar geral, ai sim, seria pânico na classe política. A expressão, “arquivo morto” é mais eficiente que, “arquivaram os processos”.
Nestas horas me arrependo de ser humanista, de acreditar na democracia e no direito a vida. Interrompo o papo. Olha meus amigos, infelizmente isso não seria uma atitude descente. Matar, coagir, chantagear e roubar, são as armas deles. Precisamos agir com nobreza. Ano que vem tem eleições e podemos votar melhor, escolher novas caras, não reeleger ninguém, fazer campanha contra... ah velho, seu discurso é politicamente correto demais, eu sou mais Hamurabi: olho por olho, dente por dente, é nois!
Frito melões, abacaxis, pepinos e salgadinhos em geral. Chapa quente, caldeirão fervendo e pratos finos sobre a mesa.
Acredito no estado eterno de mudanças.
Gosto de ver as mudanças da vida. Ontem criança, hoje adulto, amanhã idoso. Este espaço é para provocar diálogos que possam ajudar a mudar o meu jeito de olhar. E quem sabe você também entra nessa? Seja bem vindo, comente, critique, o anonimato aqui é bem vindo.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Arquivo bom é arquivo morto.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Decálogo de Lênin X Música de Gabriel o Pensador.
Recebi esta semana dois e-mails curiosos. Um relatava o Decálogo de Lênin. Estes escritos foram elaborados como normas para guiar a construção da Rússia após a Revolução Comunista. Para a minha surpresa no power point havia alguns mandamentos estranhos:
• Corrompa e juventude e dê-lhe liberdade sexual;
• Infiltre e depois controle todos os meios de comunicação;
• Destrua a confiança do povo em seus líderes;
• Promova greves, mesmo que ilegais, nas indústrias vitais do país;
• Colabore para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes.
São mais cinco frases desse tipo e com fotos de Lula, Marcos Valério, greves, Lula nas greves do ABC, Hugo Chaves e Evo Morales. Fiquei me perguntando: como Lênin queria construir um país usando estas idéias? Quando que na Rússia deram liberdade sexual para os jovens? Destruir a confiança de um povo em seus líderes, para quê?
Ah, já entendi, o cara que fez o power point quer nos convencer de que Lula seguiu o Decálogo de Lênin para chegar ao poder. Deve ser por isso que começa assim: escrito por Vladimir Lênin, o pai do comunismo, sistema governamental ateísta. Fiquei com medo, os comunistas que iriam comer as nossas criancinhas já estão no poder.
Se fosse só isso estaria bom, mas é pior. O outro e-mail que recebi tem o título: música do Gabriel o Pensador censurada. A letra da música, também apresentada em power point com fotos de petistas e do congresso, fala dos desmandos dos senadores e dos políticos em geral. A letra é péssima e na hora conclui: Gabriel não escreveu isso nem a pau.
Fui procurar na internet sobre a música e a censura, não encontrei nada. Censura eficiente, heim? Não existe um blog, um jornal independente e nem no site do cantor uma linha se quer sobre a censura. Ninguém, além do cara que escreveu o power point, sabe da letra e da censura desta música.
Sobre o Decálogo de Lênin fiz uma busca rápida e encontrei-o repetido em vários sites ligados aos integralistas. Para quem não sabe, estes sujeitos, também conhecidos como camisas verdes, são discípulos de Plínio salgado, ultra-direitistas, para ser mais claro, são fascistas.
Escrevi este post para registrar a minha indignação. A internet é um meio de comunicação novo, aberto e de fácil manipulação. Pessoas mal intencionadas e de caráter fraco utilizam o meio para expor seus recalques. Eles precisam aprender que democracia se constrói com honestidade, com idéias claras e coerência. Tentar manipular idéias, fatos e pessoas é coisa do passado. Lembrem-se: Hitler, ídolo deles, tentou contar uma grande mentira e deu no que deu.
• Corrompa e juventude e dê-lhe liberdade sexual;
• Infiltre e depois controle todos os meios de comunicação;
• Destrua a confiança do povo em seus líderes;
• Promova greves, mesmo que ilegais, nas indústrias vitais do país;
• Colabore para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes.
São mais cinco frases desse tipo e com fotos de Lula, Marcos Valério, greves, Lula nas greves do ABC, Hugo Chaves e Evo Morales. Fiquei me perguntando: como Lênin queria construir um país usando estas idéias? Quando que na Rússia deram liberdade sexual para os jovens? Destruir a confiança de um povo em seus líderes, para quê?
Ah, já entendi, o cara que fez o power point quer nos convencer de que Lula seguiu o Decálogo de Lênin para chegar ao poder. Deve ser por isso que começa assim: escrito por Vladimir Lênin, o pai do comunismo, sistema governamental ateísta. Fiquei com medo, os comunistas que iriam comer as nossas criancinhas já estão no poder.
Se fosse só isso estaria bom, mas é pior. O outro e-mail que recebi tem o título: música do Gabriel o Pensador censurada. A letra da música, também apresentada em power point com fotos de petistas e do congresso, fala dos desmandos dos senadores e dos políticos em geral. A letra é péssima e na hora conclui: Gabriel não escreveu isso nem a pau.
Fui procurar na internet sobre a música e a censura, não encontrei nada. Censura eficiente, heim? Não existe um blog, um jornal independente e nem no site do cantor uma linha se quer sobre a censura. Ninguém, além do cara que escreveu o power point, sabe da letra e da censura desta música.
Sobre o Decálogo de Lênin fiz uma busca rápida e encontrei-o repetido em vários sites ligados aos integralistas. Para quem não sabe, estes sujeitos, também conhecidos como camisas verdes, são discípulos de Plínio salgado, ultra-direitistas, para ser mais claro, são fascistas.
Escrevi este post para registrar a minha indignação. A internet é um meio de comunicação novo, aberto e de fácil manipulação. Pessoas mal intencionadas e de caráter fraco utilizam o meio para expor seus recalques. Eles precisam aprender que democracia se constrói com honestidade, com idéias claras e coerência. Tentar manipular idéias, fatos e pessoas é coisa do passado. Lembrem-se: Hitler, ídolo deles, tentou contar uma grande mentira e deu no que deu.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Cada um sabe aonde o sapato aperta.
Acabei de ler um texto do Danilo Gentili sobre racismo. Acho que ele postou uma piada sobre cores, negros e bichos no twitter e deu pano pra manga. Racismo e discriminação rendem assunto sem fim. Tem gente que insiste numas idéias bobas, tanto os politicamente corretos, como os escrachados esquecem um ponto. O que é ser discriminado?
Não sou negro, sou pardo o suficiente para ser considerado branco. Uma vez na vida senti o que é ser discriminado. Vestido de mendigo entrei em um shopping aqui em BH. O Diamond Mall é o centro de compras do bairro de Lourdes, o mais refinado de BH.
Eu vi mães segurando os filhos com força e puxando-os para junto do corpo, eu vi pessoas desviando, eu vi um piano bar inteiro parar diante da minha presença, eu vi um grupo de seguranças se organizando e me seguindo de longe. Eu vi tantos olhares de censura que comecei a passar mal. Senti um nó na goela, uma dor no peito, uma vontade de chorar. Sentei na praça de alimentação e a equipe de apoio veio em meu socorro. Éramos cinco universitários e ninguém sabia o que fazer. Eu não conseguia falar, meu coração batia descontrolado, pensei que ia morrer e a tentativa de fazer um vídeo para a faculdade foi pro espaço.
Saí do lugar cambaleando como se estivesse bêbado e não era encenação. Não sei explicar o que eu sentia e muito menos porque meu corpo respondia daquele jeito. Lá fora, sentado no meio fio, encontramos um mendigo de verdade e perguntamos por que ele não entrava no shopping:
-Lá só pode entrar de calça e só tenho esta bermuda.
Entendi o tanto que ele não queria se misturar com aquela gente e o melhor era manter distancia. Falar que negro descrimina negro, que negros vendiam negros e mais um tanto de lugares comuns é pouco perto de uma questão que está no sangue, na cara e na vida de muitos. Só quem sente na pele pode dizer o tanto que é importante a Lei Afonso Arinos e a diferença que faz ser chamado de preto, negro ou zulu.
Não sou negro, sou pardo o suficiente para ser considerado branco. Uma vez na vida senti o que é ser discriminado. Vestido de mendigo entrei em um shopping aqui em BH. O Diamond Mall é o centro de compras do bairro de Lourdes, o mais refinado de BH.
Eu vi mães segurando os filhos com força e puxando-os para junto do corpo, eu vi pessoas desviando, eu vi um piano bar inteiro parar diante da minha presença, eu vi um grupo de seguranças se organizando e me seguindo de longe. Eu vi tantos olhares de censura que comecei a passar mal. Senti um nó na goela, uma dor no peito, uma vontade de chorar. Sentei na praça de alimentação e a equipe de apoio veio em meu socorro. Éramos cinco universitários e ninguém sabia o que fazer. Eu não conseguia falar, meu coração batia descontrolado, pensei que ia morrer e a tentativa de fazer um vídeo para a faculdade foi pro espaço.
Saí do lugar cambaleando como se estivesse bêbado e não era encenação. Não sei explicar o que eu sentia e muito menos porque meu corpo respondia daquele jeito. Lá fora, sentado no meio fio, encontramos um mendigo de verdade e perguntamos por que ele não entrava no shopping:
-Lá só pode entrar de calça e só tenho esta bermuda.
Entendi o tanto que ele não queria se misturar com aquela gente e o melhor era manter distancia. Falar que negro descrimina negro, que negros vendiam negros e mais um tanto de lugares comuns é pouco perto de uma questão que está no sangue, na cara e na vida de muitos. Só quem sente na pele pode dizer o tanto que é importante a Lei Afonso Arinos e a diferença que faz ser chamado de preto, negro ou zulu.
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A família Sarney
Muito legal o texto que a Miriam Leitão escreveu sobre a família Sarney.
Se eu fosse um integrante do CQC iria lá no Maranhão entrevistar a Maria Beatriz Sarney. Já imaginaram uma pergunta do tipo: e aí Maria o seu namorando conseguiu o emprego? Ou então: Maria namora comigo? É que estou precisando de um emprego??
O texto da Miriam está aqui.
Se eu fosse um integrante do CQC iria lá no Maranhão entrevistar a Maria Beatriz Sarney. Já imaginaram uma pergunta do tipo: e aí Maria o seu namorando conseguiu o emprego? Ou então: Maria namora comigo? É que estou precisando de um emprego??
O texto da Miriam está aqui.
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Como fazer uma manifestação política.
Recebi recentemente vários emails convocando para uma grande manifestação dia 7 de setembro as 17 horas.
Quanta inocência, quanta indignação mal direcionada, quanta bobagem. Lembrando de minha atuação no movimento estudantil resolvi escrever 10 metas para esclarecer como promover uma mobilização política. Dou-lhes de graça informações valiosas, não que eu seja bonzinho, é pura arrogância de quem acredita que pode mudar alguma coisa.
1º- Jamais convoque uma passeata ou qualquer movimento para um feriado. Cidadania se exerce em dia útil, feriado é para descansar. Não seja ingênuo, ninguém vai largar um churrasquinho para ir às ruas bater panelas.
2º- Se quer fazer um movimento político realmente consistente procure instituições que lhe apoiem; movimento estudantil, sindicatos, movimento sociais, Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, ONGs, etc...
3º- Não divulgue seu movimento em emails ou cartas anônimas, mostre sua cara. Se não tem coragem para isso, nem comece.
4º- Não crie um movimento com nomes tipo: cansei, basta, chega! Isso mostra total falta de conteúdo, é barulho por nada. Sem falar que é pouco objetivo e covarde. Basta por quê? Cansou de quê? Ninguém é trouxa de apoiar uma causa sem saber os detalhes.
5º- Se quer juntar gente nas ruas marque o início da passeata para as 14h. A concentração deve durar até as 18h e depois seguir o seu itinerário. Nesta hora tem mais gente na rua e é possível conseguir apoio de quem está alheio ao movimento.
6º- Não coloque políticos dúbios, ou celebridades a frente da sua luta. O povo precisa se reconhecer para se envolver com a questão.
7º- Material importante: carro de som, faixas, panfletos e informações de apoio na net. Release para ser distribuído a todos os meios de comunicação do local.
8º- Avise a polícia, negocie o tempo de duração e o percurso. Aceite as condições da polícia, com a manifestação na rua eles terão que ceder às suas.
9º- Não conte com os seus amigos para fazer volume, você precisa alcançar gente que realmente queira participar. Lembra das instituições de apoio?
10º- Convide artistas amadores ou desconhecidos para animarem a passeata. Crie paródias com as músicas do momento. Nas primeiras 4 horas de movimento deve haver agitação intensa, slogans para serem gritados por todos, discursos e músicas interessantes.
Aprendi isso aos 17 anos e foi assim que ajudei a organizar algumas manifestações do Impeachment do Collor. E se você vier me dizer que fomos manipulados pela Globo, eu terei que lembrá-lo que a Globo foi a última emissora a documentar as passeatas. Por mais que você não acredite a rede de informação e sustentação da UNE foi a grande responsável pela derrubada do Collor. Ah, é claro que algum partido controlava a UNE nesta época.
Quanta inocência, quanta indignação mal direcionada, quanta bobagem. Lembrando de minha atuação no movimento estudantil resolvi escrever 10 metas para esclarecer como promover uma mobilização política. Dou-lhes de graça informações valiosas, não que eu seja bonzinho, é pura arrogância de quem acredita que pode mudar alguma coisa.
1º- Jamais convoque uma passeata ou qualquer movimento para um feriado. Cidadania se exerce em dia útil, feriado é para descansar. Não seja ingênuo, ninguém vai largar um churrasquinho para ir às ruas bater panelas.
2º- Se quer fazer um movimento político realmente consistente procure instituições que lhe apoiem; movimento estudantil, sindicatos, movimento sociais, Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, ONGs, etc...
3º- Não divulgue seu movimento em emails ou cartas anônimas, mostre sua cara. Se não tem coragem para isso, nem comece.
4º- Não crie um movimento com nomes tipo: cansei, basta, chega! Isso mostra total falta de conteúdo, é barulho por nada. Sem falar que é pouco objetivo e covarde. Basta por quê? Cansou de quê? Ninguém é trouxa de apoiar uma causa sem saber os detalhes.
5º- Se quer juntar gente nas ruas marque o início da passeata para as 14h. A concentração deve durar até as 18h e depois seguir o seu itinerário. Nesta hora tem mais gente na rua e é possível conseguir apoio de quem está alheio ao movimento.
6º- Não coloque políticos dúbios, ou celebridades a frente da sua luta. O povo precisa se reconhecer para se envolver com a questão.
7º- Material importante: carro de som, faixas, panfletos e informações de apoio na net. Release para ser distribuído a todos os meios de comunicação do local.
8º- Avise a polícia, negocie o tempo de duração e o percurso. Aceite as condições da polícia, com a manifestação na rua eles terão que ceder às suas.
9º- Não conte com os seus amigos para fazer volume, você precisa alcançar gente que realmente queira participar. Lembra das instituições de apoio?
10º- Convide artistas amadores ou desconhecidos para animarem a passeata. Crie paródias com as músicas do momento. Nas primeiras 4 horas de movimento deve haver agitação intensa, slogans para serem gritados por todos, discursos e músicas interessantes.
Aprendi isso aos 17 anos e foi assim que ajudei a organizar algumas manifestações do Impeachment do Collor. E se você vier me dizer que fomos manipulados pela Globo, eu terei que lembrá-lo que a Globo foi a última emissora a documentar as passeatas. Por mais que você não acredite a rede de informação e sustentação da UNE foi a grande responsável pela derrubada do Collor. Ah, é claro que algum partido controlava a UNE nesta época.
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Crise no Senado!
Todo dia leio uma novidade sobre a crise no senado. Outro dia vi que o Sarney revogou todos os atos secretos e continuamos sem saber o que eram estes segredos.
Agora está todo mundo reclamando que o Lula chamou os senadores de pizzaiolos. Não farei a piadinha a la CQC: coitado dos pizzaiolos. Gostei da provocação do Lula, quero ver quem tem vergonha na cara e vai fazer alguma coisa. Por enquanto só discursos indignados. Até gostei da fala do Cristóvão Buarque, mas não passa de conversa fiada.
Concordei também com o apoio que o Lula prestou ao Sarney e por isso fui crucificado por meus amigos.
Queridos, vamos entender uma coisa, isso é política e a crise do senado nada mais é do que uma tentativa do PSDB de enfraquecer o PMDB para as próximas eleições. Com o PMDB fraco o PT fica mais fraco ainda e terá uma enorme dificuldade para eleger a Dilma. Aliás, acredito que ela seja um boi de piranha, candidato apresentado antes para ser apedrejado pela oposição e na convenção do partido acabarão escolhendo outro nome. Patrus já disse que não, dizem que tem pouco apelo nacional, mas não duvido de nada.
A crise do senado vai no máximo reduzir em 20% os gastos de nossos senadores e cairá no esquecimento. A família Sarney sofre golpes por outro motivo, as investigações da Polícia Federal que chegaram até eles.
Quem abriu concurso aumentando o quadro de agentes, equipou e pediu a abertura de várias investigações foi o Presidente Lula. Se procurarem as primeiras ações dele no primeiro mandato constatarão este reforço que a PF ganhou.
É graças a PF e não ao senado ou à câmara dos deputados que as coisas podem mudar e muitos serem indiciados e obrigados a devolverem alguma quantia. Presos não acredito, afinal são homens acima da lei e não foi o presidente quem disse isso, está na constituição com o nome de imunidade parlamentar.
Este texto longo e cheio de retalhos é para chegar a este ponto: não adianta fazerem manifestações na net. Não adianta convocar passeatas e registrar sua indignação. Vote melhor na próxima eleição.
Agora está todo mundo reclamando que o Lula chamou os senadores de pizzaiolos. Não farei a piadinha a la CQC: coitado dos pizzaiolos. Gostei da provocação do Lula, quero ver quem tem vergonha na cara e vai fazer alguma coisa. Por enquanto só discursos indignados. Até gostei da fala do Cristóvão Buarque, mas não passa de conversa fiada.
Concordei também com o apoio que o Lula prestou ao Sarney e por isso fui crucificado por meus amigos.
Queridos, vamos entender uma coisa, isso é política e a crise do senado nada mais é do que uma tentativa do PSDB de enfraquecer o PMDB para as próximas eleições. Com o PMDB fraco o PT fica mais fraco ainda e terá uma enorme dificuldade para eleger a Dilma. Aliás, acredito que ela seja um boi de piranha, candidato apresentado antes para ser apedrejado pela oposição e na convenção do partido acabarão escolhendo outro nome. Patrus já disse que não, dizem que tem pouco apelo nacional, mas não duvido de nada.
A crise do senado vai no máximo reduzir em 20% os gastos de nossos senadores e cairá no esquecimento. A família Sarney sofre golpes por outro motivo, as investigações da Polícia Federal que chegaram até eles.
Quem abriu concurso aumentando o quadro de agentes, equipou e pediu a abertura de várias investigações foi o Presidente Lula. Se procurarem as primeiras ações dele no primeiro mandato constatarão este reforço que a PF ganhou.
É graças a PF e não ao senado ou à câmara dos deputados que as coisas podem mudar e muitos serem indiciados e obrigados a devolverem alguma quantia. Presos não acredito, afinal são homens acima da lei e não foi o presidente quem disse isso, está na constituição com o nome de imunidade parlamentar.
Este texto longo e cheio de retalhos é para chegar a este ponto: não adianta fazerem manifestações na net. Não adianta convocar passeatas e registrar sua indignação. Vote melhor na próxima eleição.
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sexta-feira, 19 de junho de 2009
Diplomas são quadros nas paredes.
O aval de uma instituição não significa que o sujeito é apto a desenvolver uma profissão. Academia é a melhor distância entre elite e povo.
Você me pergunta: e os médicos? Se trataria com um médico sem diploma!?
Sim, fui nascido por um médico Colombiano com diploma de uma Universidade do Chile que montou uma clínica em Coluna no ano de 1973. Isso não é piada, é a realidade. Anos depois começaram a imaginar o que faria um médico Colombiano montar uma clínica no norte de Minas. Duas suspeitas: ou era fugitivo de algum crime ou um falsário.
A última vez que fui a um médico foi para fazer uma revisão geral do meu sangue. Com o resultado dos exames em mãos ele me ligou: não precisa voltar aqui, está tudo ótimo, mando os resultados para você pelo correio.
Antes dessa visita, havia ido ao médico para tratar uma dor de garganta, dez anos antes. Durante quatro anos tive inflamações nas faringes e a cada ano era receitado um antibiótico mais forte. O dia que troquei os antibióticos pelo própolis parei de adoecer.
O último medicamento alopático que ingeri foi um desses antibióticos em 1997.
Se cometer um crime posso me defender sem um advogado, a justiça me garante este direito.
Profissão democrática é a de publicitário, qualquer um pode ser, sem reserva de mercado, sem ilusões documentadas.
O mais grave acontece com os músicos e atores. Reféns de uma carteirinha que é vendida por instituições que não exigem um diploma, mas um comprovante de que o sujeito é artista. Uma grande sacanagem que o Mundo Livre S/A canta sassim:
Muito Obrigado
Mundo Livre S/A
Quem precisa de ordem pra moldar?
Quem precisa de ordem pra pintar?
Quem precisa de ordem pra esculpir?
Quem precisa de ordem pra narrar?
Quem precisa de ordem?
Agora uma fabulazinha
Me falaram sobre uma floresta distante
Onde uma história triste aconteceu
No tempo em que os pássaros falavam
Os urubus, bichos altivos, mas sem dotes para o canto
Resolveram, mesmo contra a natureza, que haviam de se tornar grandes cantores
Abriram escolas e importaram professores
Aprenderam dó ré mi fá sol lá si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si
Para escolher quais deles passariam a mandar nos demais
A partir daí, criaram concursos e inventaram títulos pomposos
Cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular
A fim de ser chamado por vossa excelência
Quem precisa de ordem?
Quem precisa de ordem pra escrever?
Quem precisa de ordem?
Quem precisa de ordem pra rimar?
Quem precisa de ordem?
Passaram-se décadas até que a patética harmonia dos urubus maestros
Foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas
Que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás
Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos e sabiás
Para um rigoroso inquérito
"Cada os documentos de seus concursos?" indagaram
E os pobres passarinhos se olharam assustados
Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar
Naturalmente cantavam
"Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem!"
Bradaram os urubus
E em uníssono expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos
Que ousavam cantar sem alvarás
Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás
Quem precisa de ordem pra dançar?
Quem precisa de ordem pra contar?
Quem precisa de ordem pra inventar?
Gonzagão, Moringueira
precisa o quê??
Dona Selma, Adoniran
precisa não!
Chico Science, Armstrong
precisa o quê??
Dona Ivone, Dorival
precisa não!
Você me pergunta: e os médicos? Se trataria com um médico sem diploma!?
Sim, fui nascido por um médico Colombiano com diploma de uma Universidade do Chile que montou uma clínica em Coluna no ano de 1973. Isso não é piada, é a realidade. Anos depois começaram a imaginar o que faria um médico Colombiano montar uma clínica no norte de Minas. Duas suspeitas: ou era fugitivo de algum crime ou um falsário.
A última vez que fui a um médico foi para fazer uma revisão geral do meu sangue. Com o resultado dos exames em mãos ele me ligou: não precisa voltar aqui, está tudo ótimo, mando os resultados para você pelo correio.
Antes dessa visita, havia ido ao médico para tratar uma dor de garganta, dez anos antes. Durante quatro anos tive inflamações nas faringes e a cada ano era receitado um antibiótico mais forte. O dia que troquei os antibióticos pelo própolis parei de adoecer.
O último medicamento alopático que ingeri foi um desses antibióticos em 1997.
Se cometer um crime posso me defender sem um advogado, a justiça me garante este direito.
Profissão democrática é a de publicitário, qualquer um pode ser, sem reserva de mercado, sem ilusões documentadas.
O mais grave acontece com os músicos e atores. Reféns de uma carteirinha que é vendida por instituições que não exigem um diploma, mas um comprovante de que o sujeito é artista. Uma grande sacanagem que o Mundo Livre S/A canta sassim:
Muito Obrigado
Mundo Livre S/A
Quem precisa de ordem pra moldar?
Quem precisa de ordem pra pintar?
Quem precisa de ordem pra esculpir?
Quem precisa de ordem pra narrar?
Quem precisa de ordem?
Agora uma fabulazinha
Me falaram sobre uma floresta distante
Onde uma história triste aconteceu
No tempo em que os pássaros falavam
Os urubus, bichos altivos, mas sem dotes para o canto
Resolveram, mesmo contra a natureza, que haviam de se tornar grandes cantores
Abriram escolas e importaram professores
Aprenderam dó ré mi fá sol lá si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si
Para escolher quais deles passariam a mandar nos demais
A partir daí, criaram concursos e inventaram títulos pomposos
Cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular
A fim de ser chamado por vossa excelência
Quem precisa de ordem?
Quem precisa de ordem pra escrever?
Quem precisa de ordem?
Quem precisa de ordem pra rimar?
Quem precisa de ordem?
Passaram-se décadas até que a patética harmonia dos urubus maestros
Foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas
Que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás
Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos e sabiás
Para um rigoroso inquérito
"Cada os documentos de seus concursos?" indagaram
E os pobres passarinhos se olharam assustados
Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar
Naturalmente cantavam
"Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem!"
Bradaram os urubus
E em uníssono expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos
Que ousavam cantar sem alvarás
Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás
Quem precisa de ordem pra dançar?
Quem precisa de ordem pra contar?
Quem precisa de ordem pra inventar?
Gonzagão, Moringueira
precisa o quê??
Dona Selma, Adoniran
precisa não!
Chico Science, Armstrong
precisa o quê??
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